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“Venham mais 5”: Loures celebra talento de ex-alunos

Cinco relatos. Cinco talentos com idades, estórias e percursos diferentes, mas algo em comum a uni-los: todos passaram pela mesma escola. Das salas de aula da Escola Secundária José Afonso para o Salão Nobre dos Paços do Concelho, as estórias de sucesso de ex-alunos de Artes serviram de mote à exposição “Venham mais 5”, realizada no âmbito das Festas de Loures 2018.

Fazendo jus ao slogan das festividades do município, “As pessoas são a nossa marca”, a mostra consiste num vídeo de homenagem “àqueles que fizeram o seu percurso escolar no concelho”, com o intuito de: “valorizar, divulgar e promover o Ensino Artístico que se realiza há cerca de trinta anos” naquele estabelecimento de ensino público, pode ler-se na nota de imprensa do concelho. Entre 26 de julho e 3 de agosto, “Venham mais 5” deu a conhecer a carreira de antigos estudantes em cujo currículo o “liceu velho” teve um papel fundamental: Rita Redshoes (música), Miguel Brum (tatuador e street artist), Catarina Botas (stylist), Carlos Rosa (designer e diretor do IADE) e Tiago Carvalho (professor).


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O projeto, que une em parceria o Departamento e a Campos Costa Arquitetos, nasceu da vontade de Isabel Lima, professora do Curso de Artes Visuais na Escola Secundária José Afonso desde 1983, e de dois ex-alunos com valor reconhecido nas áreas criativas: Bruno Pereira e Pedro Campos Costa. “Há muitos anos que nós pensávamos nisto. É uma espécie de plataforma, uma espécie de network que, de alguma maneira, é uma retribuição por aquilo que recebemos”, explica o arquiteto e professor universitário. Pedro Campos Costa diz que não é a escola enquanto estrutura o que a diferencia das demais: “Não existem estabelecimentos de ensino; o que existem são pessoas.” Pessoas capazes de transformar outras pessoas: “Percebemos que existem várias carências, especialmente ao nível do ensino artístico, mas não só. E uma delas é exatamente essa capacidade de transformação. Trabalhamos cada vez mais em matrizes de Excel e esquecemo-nos daquilo que é mais importante, que é, por exemplo, despentear o cabelo.” A expressão tê-la-á aprendido com Isabel Lima, que assumiu esse papel quando chegou ao “liceu velho”: “Tenho um colega que dizia sempre que, quando eles passam por mim, saem despenteados. E, portanto, o meu papel foi sempre despenteá-los. Ou seja, virar-lhes um bocadinho as ideias feitas e pô-los a descobrir novas coisas e a descobrir-se a si próprios, sobretudo a si próprios.”




DE VOLTA AO FUTURO

Os episódios mais marcantes. As pessoas que mais os inspiraram. Os amigos que ficaram para sempre. O que mudariam se voltassem à escola. As perguntas eram as mesmas. As respostas, como as memórias, mais do que muitas.

Rita Redshoes é, dos cinco protagonistas do vídeo, o nome mais conhecido do grande público. Da passagem pela ES José Afonso, destaca sobretudo o impacto que o grupo de teatro ITA VERO teve na sua carreira musical, bem como “toda a aprendizagem que aplico nos meus concertos, na cenografia… Passava muito tempo a ver a construção do cenário, por que escolhiam aquela cadeira, por exemplo”, conta Rita. “Tive aí a minha primeira experiência do que foi pisar um palco, fiquei como baterista da peça e construímos a banda sonora. Isso marcou-me muito no gosto que eu tenho em fazer bandas sonoras para cinema e teatro.” Foi também no “liceu velho” que conheceu Filipe Monteiro, com quem gravou dois dos seus discos.

Também a carreira de Miguel Brum é, em si mesma, um regresso: “Apesar de, depois do secundário, ter seguido para a universidade, naquilo que faço atualmente, quase que voltei ao secundário e mantive simplesmente aquilo que me apetecia fazer naquele momento. Tínhamos um conjunto de ferramentas à disposição que ainda hoje gostava de as ter: serigrafia, gravura, chapa, linóleo…”

Se a escola e tudo o que ela lhe proporcionou seduziu o tatuador e street artist, já Tiago Carvalho vai mais longe e fala em “encantamento”: “Os professores, com o seu discurso, conseguiram-nos amarrar.” Evoca com nostalgia os serões passados em casa deles a conversar, a ida à ópera ou ao concerto de Carlos Paredes. Em suma, tudo o que faziam depois do toque de saída: “Essas eram as verdadeiras aulas.”

Carlos Rosa salienta a dimensão humana da ES José Afonso e a liberdade que lhe dava para criar: “Foi uma escola que nos deu paredes para fazer grafitis, quando nem se falava em street art. No que é a minha carreira paralela à docência, estão raízes estão lá.”

Foi igualmente através do desenho que Catarina Botas descobriu que se queria dedicar a algo relacionado com artes, moda ou ambas. “A professora Isabel (Lima) uma vez disse-me: A Catarina tem os olhos em ligação direta com a ponta do lápis.” A moda prevaleceu, e hoje, com 26 anos, acaba de fundar a sua primeira empresa de styling, a Barbie Doll Marketers. No currículo, já se pode orgulhar de somar colaborações em videoclips de Moullinex, Best Youth e Pacman.

Foram estes os rostos da primeira edição da iniciativa. Agora, “Venham mais 5”!


Vejam aqui os cinco documentários.


Texto: Rita Matos
Fotografia e Vídeo: Direitos Reservados