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Turtleneck Club: “A festa em Lisboa foi uma das nossas melhores”

Imaginem uma festa onde a peça-chave é uma camisola de gola alta. Parece simples, e ao mesmo tempo meio surreal. A ideia do Turtleneck Club já passou pelas cidades mais emblemáticas e esteve recentemente em Lisboa, a desafiar os portugueses a entrar no espírito de uma boa festa, com os melhores cocktails, e apenas uma regra: se falham o dress code, entram sem calças! A Magnética Magazine teve a oportunidade de falar com o pai deste conceito, Craig Judkins. Uma coisa é certa: Lisboa deixou uma ótima impressão!

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Como surgiu a ideia de criar uma festa deste tipo? E porquê usar única e exclusivamente gola alta?

Eu e a minha esposa estávamos na Flórida, em visita aos meus pais e a minha mãe disse: “Encontrem-nos no Turtle Club às 19h para o jantar!” Eu não estava a prestar atenção, então mais tarde perguntei à minha esposa – que é alemã – e sem qualquer insinuação de ironia, ela respondeu: “Devemos ir ter com eles ao Clube da Gola Alta”. Lembro-me que estava a conduzir e tive que controlar o carro na estrada, porque estava a rir tanto que mal conseguia respirar. E foi nesse momento que imaginei tudo – as pessoas sofisticadas a beber cocktails, um DJ a pôr boa música, um estúdio de fotografia (claro), criado para preservar a experiência do clube para todos os nossos membros. A coisa mais importante é que, embora a ideia fosse completamente absurda, pareceu resultar e foi sempre levada muito a sério.

Tutleneck Club tornou-se um sucesso por todos os países onde passou. Consegue explicar este sucesso?

Sinceramente, não sei. Acho que todas as coisas que compõem o Turtleneck Club acabam por atrair a maioria das pessoas, nalgum nível. Não há como não se gostar. É tudo muito divertido, e não há escassez de estranheza (da melhor variedade, obviamente). Damos às pessoas a oportunidade de brincar com sua identidade e como elas gostariam de ser conhecidas, por uma noite. Aqui, qualquer pessoa pode ser o que quiser: misterioso, fabuloso, perigoso. É só escolher e, através de várias camadas, cada uma acaba por expressar um sentimento que têm sobre si mesmas.

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Como descreve a experiência de entrar numa destas festas?

Acima de tudo, cada pessoa sente que faz parte de algo. É um pouco ridículo, como indiquei, mas ao mesmo tempo é surreal. Uma sala inteira cheia de pessoas a vestir gola alta. Imaginem alguém que entra na sala de alguma forma e não sabe o que é que está a acontecer. Há uma grande quantidade de humor subtil envolvido, mas ao mesmo tempo todos nós nos esforçamos e merecemos estar lá sendo tratados como membros, como iguais. É estranhamente gratificante.

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Existiu algum episódio especial que guarde na memória? Fale-nos desse acontecimento.

Nós estávamos em Londres, em Shoreditch e havia pessoas a tentar entrar que não estavam a vestir a peça de roupa necessária, o que se estava a tornar um pouco chato. Então, nalgum momento, um colega sugeriu que eles poderiam entrar, mas teriam que tirar as calças. Regra é regra. Todos nós temos que nos esforçar um pouco para dar algum contributo visual à festa. Então, se alguém aparecer sem fazer o que foi solicitado, haverá um preço a ser cobrado.

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No final de contas, o que mais importa? A personalidade de quem vai às festas ou o que leva vestido?

Não é preciso muito para se tornar um membro – basta usar o outfit necessário. Nesse ponto somos todos iguais. Mas regras são regras. E como só temos uma regra, estamos a falar muito a sério sobre isso.

Como foi a festa em Lisboa? O que acha das pessoas e da cidade em si? Pretende voltar?

A festa em Lisboa foi uma das nossas melhores. Já visitamos alguns lugares incríveis: Nova York, Chicago, Cidade do México, Paris, Londres e Berlim. Esses são apenas alguns dos que saliento porque muitas pessoas vieram e realmente “entenderam” o conceito, como gostamos de dizer. Mas Lisboa foi outra coisa. O local, as pessoas com quem trabalhamos, toda a experiência de estar lá foi escandalosamente divertida. Aproveitámos ao máximo a comida, o café, o vinho, foi excelente. Visitámos alguns bares surpreendentes (Cinco, Foxtrot, Red Frog) e perdemo-nos pela cidad. Lisboa é diferente da maioria dos lugares em que já estive e não posso dizer coisas boas o suficiente sobre a cidade. Só para contar uma história rápida: entrei num lugar chamado Café Dias, que ficava bem perto do nosso hotel e mencionei que eu era proprietário de um café.  O proprietário Pedro contou-me como o seu pai tinha aberto o local algumas décadas antes e que levou mais de 15 anos. Serviu-me um café incrível, contou-me sobre a pastelaria local, e de alguma forma, sem fazer muito, me fez sentir como se eu fosse super bem-vindo. A hospitalidade era tão genuína, a sensação era tão calorosa e amigável. E foi assim em todos os lugares que fomos. Perguntei-me porque raio eu vivo há tanto tempo na Europa e nunca tinha vindo a Portugal. De certeza que voltarei, e o Turtleneck Club também, se vocês quiserem.

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Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Sebastian Heck