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Phomer for Pepe Jeans, Fit to be Brit

Lisboeta e ‘filho dos anos 80′, Phomer estabeleceu-se há já alguns anos em Londres, cidade onde vive e trabalha como designer, ilustrador, pintor e fotógrafo.
‘Connoisseur of All Things Cool’, já colaborou com marcas como a Adidas, Reebok ou Nike, sem nunca esquecer o graffiti e o que a rua lhe ensinou. Já é um talento estabelecido mas ainda promete surpreender e desafiar as nossas expectativas.
Podem segui-lo e saber mais sobre o seu trabalho em phomer.com.

Já estás em Londres há alguns anos, sentes que tomaste a decisão certa em vir para aqui?
Sim, no tempo que aqui estou já fiz check a varias linhas da minha bucket list e já atingi muitos objectivos em pouco tempo, só esse ponto decididamente já valida a decisão.

Achas que a cidade em que vives influencia o teu trabalho? De que maneira?
Certamente. Estar rodeado de outros artistas e criativos em grande número, ter uma rede de contactos e apoio que te permite alcançar projectos que de outra maneira pareciam longe, ser desafiado constantemente pelos teus pares e pela concorrência são tudo influências que naturalmente se apropriam da maneira de pensar e trabalhar. E depois a parte visual e do dia-a-dia da cidade, o melting pot e o constante fluxo de movimento, conhecer outros criativos todos os dias, novas exposições, eventos e festas todas as semanas. São tudo grande factores que mesmo que não queiras, acabam por te influenciar.

Ficas contente com a crescente aceitação e reconhecimento da chamada “street art” nos últimos anos? Achas esse factor positivo ou algo que pode potencialmente corromper?
O fenómeno da street art, e deixa-me dizer que tenho algum conflito com esse termo, tem sido interessante de acompanhar, é algo com que estou relacionado há mais de 10 anos, por isso para mim , a questão da crescente aceitação passa-me um pouco ao lado. Venho do lado do graffiti, e sempre houve um clash com a aceitação e mais tarde um clash entre as duas vertentes entre si também. Para ser sincero eu tenho-me afastado dessa corrente, e acho que sim, tem sido corrompida. Principalmente aqui em Londres, onde a aceitação e o boom já não é novo,  toda gente é ?street artist?, o que desvaloriza um pouco quem realmente o faz bem e retira o elemento de surpresa e relevância que é tão importante nessa corrente.
Mas à parte da minha experiência e opinião pessoal, acho que qualquer forma de arte que tenha crescente aceitação e seja aceite pelo público em geral é um fenómeno positivo. Penso que quanto mais o cidadão comum tiver acesso e aceitação a formas de arte, melhor será a sociedade.

Consegues destacar alguns dos novos artistas portugueses que te estão a surpreender?
Gosto de acompanhar o trabalho de amigos artistas portugueses que estão a fazer do país uma referencia a nível internacional. Tenho o prazer de conhecer pessoas que fazem trabalho que me inspira e ponho facilmente lado a lado com outros grandes nomes internacionais. À parte do óbvio e grande sucesso do Vhills, que não sendo um novo nome, merece o destaque , não só pelo trabalho mas pelo apoio que tem dado a todos nós a nível pessoal e em geral, tenho uma boa lista de nomes. Como não dá para mencionar todos, posso facilmente destacar o Pedro Matos e o Paulo Arraiano que para mim, sem dúvida, do nosso grupo de suspeitos do costume de Lisboa, são aqueles que tenho sentido mais ultimamente.

O que achas desta simbiose entre as marcas e os artistas explorado pela Pepe Jeans? Achas que é um bom caminho para promoção de novos artistas?
Eu por cá tenho trabalhado muito com marcas, e é algo que , pelo menos a crescer em Lisboa, sempre me fez alguma confusão misturar o lado comercial com o lado artístico. Mas depressa vi e aprendi que é mesmo uma questão secundária e talvez cultural. Acho que sim, é algo que sempre existiu e desde que não corrompa o trabalho dos artistas, é definitivamente algo de positivo para promover pessoas e trabalho que muitas vezes têm grande reconhecimento em certos meios e depois quase nenhum junto de outros públicos. Por isso tudo o que ajuda a promover, a passar a mensagem e a atingir mais audiências é sempre bom.

Entrevista
Rui Castro
Fotografia e Vídeo
Paulo Segadães

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Born in Lisbon and ‘son of the 80s’, Phomer has been based in London for a few years now, where he works as a designer, illustrator, painter and photographer.
‘Connoisseur of All Things Cool’, he has collaborated with brands like Adidas, Reebok or Nike, without ever forgetting graffiti and what the street taught him. He is already an established talent but he promises to continue to surprise and to challenge our expectations.
You can follow him and get to know more about his work at phomer.com.

You’ve been living in London for a few years now, do you feel like you made the right decision coming here?
Yes. During my time here I had the chance to cross a lot of things out of my bucket list! I got to reach a lot of goals in a short period of time, so that makes it all worth it.

Do you think the city influences your work? In what ways?
For sure. Things like being surrounded by loads of other artists and creative people, to have a network of contacts and support that allows you to get to places you thought were almost unreachable. Being constantly challenged by your peers and that competition are all aspects that naturally influence the way you think and work.  And then you have the visual part of just the day-by-day in this city, the melting pot, the constant flow of movement, meeting new creative people every day, new exhibitions, events and parties every week. These aspects end up influencing you, whether you like it or not.

Are you happy with the growing acceptance and recognition that the so called ?street-art? is been getting for the past few years? Do you think that is positive or it might just corrupt the whole scene?
The ?street-art? phenomenon, and let me tell you I have issues with that term, has been really interesting to follow. It is something I’ve been involved with for over ten years now, so the whole ?acceptance? thing doesn’t really matter to me. I come from graffiti, so there was always a clash between us and ?acceptance?, and later between the artists themselves. To be honest, I’ve been distancing myself from that medium, and yes, I think it’s becoming corrupted. Specially here in London, where it is more accepted and established,  everybody is a ?street artist?. This diminishes the relevance of the work of  real talented people and weakens the ?surprise element?, so crucial with this medium.
Besides my experience and personal opinion, I think it’s a positive thing that any kind of artistic expression is accepted and recognized. If the regular guy gets more access and recognizes the value of any kind of art form, I think we will have a better society in the end.

Can you single out some of the new portuguese artists that are surprising you with their work right now?
I love to follow the work of my portuguese artist friends who are making the country a worldwide reference. I have the privilege of knowing people whose work inspires me and that I easily put side by side with any big international star. We have the huge and obvious success of Vhils. He is not a new name but deserves recognition, not only for his work but also for always being there when you need him, on a professional or personal level. I have a great list of names but I can easily state that, among the guys from the crew back in Lisbon,  Pedro Matos and Paulo Arraiano are killing it right now.

What do you think of this crossover between brand and artists explored by Pepe Jeans? Do you feel it’s a good way to promote new artists?
I do a lot of work with brands here in London. Growing up in Lisbon, I felt it was always messed up to mix the artistic and commercial sides of things, but I soon learnt it didn’t really matter, it was more cultural prejudice than anything else. I think it’s good. It always happened and as long as it doesn’t corrupt the artist’s work it’s a great way to promote their art. Sometimes it’s really difficult for artists to get the exposure and visibility they need. Brand work is good in that way, it helps the promotion and allows you to reach broader and different audiences.

Interview
Rui Castro
Photo and Video
Paulo Segadães