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No Raw Coreto com Los Waves

José Tornada e Jorge da Fonseca formaram Los Waves em meados de 2011, após um longo percurso que passou pela música acústica com referências a Sigur Rós ou Radiohead e pela música electrónica. Foi assim que decidiram fundir estes dois mundos e criar a banda que se veio a tornar Los Waves, em Londres. É difícil para Jorge definir as influências da banda, uma vez que existe um grande mix de referências, mas podemos dizer que vive à volta do Psychedelic, Indie e Pop.

Após o sucesso que têm tido a nível internacional, voltaram a Portugal e já estão a preparar um novo álbum com data para o início do próximo ano.

Estivemos com a banda no Raw Coreto da G-Star, vejam aqui o nosso Parlapié:





Quem são os Los Waves?

Los Waves são dois rapazes que começaram a fazer música mais a sério em Londres e que fazem uma espécie de Rock alternativo com uma série de misturas que às vezes nos é difícil de conciliar dentro de um álbum.

Como é que começou o projeto?

A banda começou, mais ou menos, em 2011, aliás, a banda começou comigo e com o Zé, que é o guitarrista. Começámos há bastantes anos os dois a fazer coisas que não tinham nada a ver com isto, eram coisas muito mais acústicas e calmas, do género de Sigur Rós, Radiohead… Até que percebemos que não tínhamos conteúdo para dar em termos de letras por exemplo, então decidimos fazer uma coisa completamente oposta que foi música eletrónica e tivemos um projeto de música electro e andámos aí a passar som, isto em 2010 mais ou menos e em 2011 começámos a juntar essa parte mais eletrónica com o que tínhamos feito antes e daí nasceu Los Waves.

Quais são as vossas influências?

Neste momento é complicado, porque nós estamos a tocar músicas que já foram feitas à um ano e tem muito de Strokes, muitos anos 70, música psicadélica. No fundo o que nós ouvimos não tem nada a ver com aquilo que fazemos e é difícil responder-te a isto, porque o que eu oiço não tem nada a ver com aquilo que faço.

Existe uma explicação para isso?

Tenho várias explicações até, mas são um bocado complexas demais. Se calhar acabamos por fazer aquilo que é o resultado de um percurso que tem a ver com muita coisa que fizemos em Londres e por muitas pessoas que conhecemos e que nos foram “empurrando” num sentido ou noutro. Tivemos algumas pressões lá de editoras, porque na altura estávamos a tentar encontrar uma editora e era muito difícil sobreviver lá e então queriam que fizéssemos músicas um pouco mais comerciais do que aquilo que nós tínhamos. Nós estávamos quase a viver na rua e fomos cedendo um pouco a isso, mas por um lado até foi bom, porque foram essas músicas que eles quase que encomendavam que depois conseguiram chegar a séries te televisão por exemplo, ou seja, ainda são responsáveis por conseguirmos estar a viver da música cá.

Então acaba por ser uma prioridade encontrar um balanço entre aquilo que vocês gostariam de transmitir com aquilo que é mais “vendável”.

Acho que é muito complicado expressares-te independentemente de que forma de arte for, ou seja, eu nunca consegui encontrar um meio de expressão que me espelhasse. Na música, muitas das coisas que eu quero fazer, ou expor para fora parece que é sempre um bocado limitado por obstáculos físicos – ou não tenho voz para isso, ou não consigo tocar suficientemente bem para isso – e além disso há ainda o factor das pessoas que eu vejo que são mais espontâneas naquilo que fazem, pegam numa guitarra e cantam e que normalmente cantam muito bem, são aquelas que são mais chatas e que o trabalho é mais banal, ou seja, eu apoio que se faça música sem se ter um grande background, sem grande técnica. Isto para te responder que a minha cena é música brasileira, folk, psicadélica, eletrónica, tudo um pouco. O que posso dizer é que tudo isto acaba por ser uma personagem que se interpreta, mas neste momento acho que é a forma que temos de tirar o melhor disto, e puxar por esse meio mais comercial e é o que nos pode safar a viver da música, porque já fiz tantas outras coisas, trabalhei em lojas de roupa, em armazéns, em publicidade e sei que é melhor isto, por isso não me importo de ser rotulado como música mais fútil ou comercial.

Quais os vossos planos para o futuro?

Já estamos a fazer um álbum novo, em que temos músicas com géneros completamente diferentes e acho que é um problema ainda porque não sabemos para que género ir mas já temos bastantes coisas que vamos tentar aproveitar e fazer um álbum de colaborações, provavelmente no início do ano que vem e o nosso objetivo é ter em todas as músicas uma colaboração de artistas maioritariamente portugueses.

Vejam também o Wordplay de Los Waves:





Entrevista: Isabela Gonçalves
Fotografia e Vídeo: Beatriz Pereira