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Näz: roupa sem exploração social e amiga do ambiente

A sua paixão pelo design têxtil foi crescendo ao longo dos tempos, mas ao criar a marca Näz existiam algumas preocupações: a exploração social e o ambiente. É por isso que esta marca, criada por Cristiana Costa, cria peças de roupa com o menor impacto ambiental possível e utilizando os excedentes têxteis das fábricas nacionais.
A Magnética Magazine esteve na apresentação da coleção Primavera/Verão 2018 e falou com a criadora sobre este projeto tão responsável e inspirador:

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Como nasceu o teu gosto pelo design de moda?
Nunca soube muito bem como apareceu, acho que já foi dentro do curso mesmo. Ainda hoje não compreendo o que me fez ir para design, creio que achei que abarcava várias coisas que me interessavam, mas nem nunca fui uma pessoa artística. Na verdade, o que mais gosto de fazer é design têxtil, e isso foi uma paixão que foi crescendo durante todo o curso pois na Covilhã existe uma grande ligação à indústria.

A tua preocupação pelo ambiente sempre esteve presente? Qual era o teu principal objetivo ao criar uma peça de roupa?
O ambiente veio por acréscimo, porque a minha maior preocupação era social, saber que a maioria da roupa provém de exploração social deixava-me muito transtornada e na altura da procura de trabalho apercebi-me que não era capaz de trabalhar em nenhuma empresa que fechasse os olhos ao que se passava. Com as questões sociais veio a preocupação ambiental, pois com a destruição do ambiente automaticamente estamos a afetar as pessoas.Ao criar uma peça de roupa o meu objetivo é ter o menor impacto ambiental possível e que esta tenha um impacto social positivo – é sempre o nosso objetivo.

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Quando nasceu a Näz e como surgiu esta ideia? Foi fácil de concretizar o principal objetivo de utilizar os excedentes têxteis das fábricas nacionais?

Surgiu ainda durante o meu mestrado, e começou com algo para ganhar dinheiro visto que não tinha tempo para um part-time de horários normais. No entanto a aceitação do mercado começou a aumentar, comecei a maturar todo o conceito da marca e a marca em si, sendo que já nasceu há dois anos, mas no mercado estamos apenas há um ano.
Os excedentes têxteis pareceram-me a melhor opção, não foi fácil inicialmente andar a contactar todas as fábricas, mas conseguimos arranjar bons parceiros, e acabou por ser um modo de trabalhar com tecidos de qualidade a preços de fábrica sem ter que investir imenso dinheiro para encomendar os mínimos obrigatórios. Depois apercebi-me no impacto que isso tinha na pegada ambiental e social das roupas que fazíamos!

Como descreves a tua marca?
É uma tentativa de democratizar o vestuário sustentável, mas é também um projeto de educação e consciencialização do consumidor, onde queremos mostrar às pessoas o custo pessoal de fazer uma peça de roupa e quantas vidas afeta se comprarmos uma peça sem pensarmos se o preço é realmente justo, mas também queremos mudar o conceito que têm de preço justo, porque a maioria das vezes não é real.

Como tem sido a adesão por parte dos consumidores?
Tem sido fantástica, muito mais lá fora, onde os ordenados também são mais justos, do que cá. Mas mesmo cá temos tido uma adesão incrível!

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Fala-me dos preços. Qual a peça mais acessível e qual a mais cara?
Nesta coleção, a peça mais barata custa 38€ e a mais cara 96€. Há quem ache os preços muito elevados, mas a verdade é que é o custo de uma mão de obra qualificada paga com justiça. Posso dizer que o que normalmente custam umas calças em algumas lojas é o nosso preço de custo de umas calças semelhantes, claro que isso nos deixa a pensar o quão “real” é aquele preço e é assustador compreender de que modo conseguem disponibilizar ao consumidor peças de valor tão baixo.

Lançaste agora uma nova coleção, fala-nos sobre ela.
Mantêm-se sempre na nossa linha de estética, creio que estamos ainda a maturar o nosso design também e isso nota-se muito bem. Como sempre trabalhamos muito com os elásticos para que sejam peças confortáveis e que facilmente se adaptem a muitas pessoas, pois só com o aumentar da coleção iremos conseguir afastar-nos um pouco dos tamanhos únicos. É uma coleção que, como sempre, pensa na mulher moderna que não espera por nada nem por ninguém para fazer algo, que mete as mãos na massa, e para além de querer sentir-se bem também precisa de roupa que acompanhe esta sua independência – por isso as silhuetas largas e elegantes, mas que são confortáveis e que não prendem movimentos.

Quais os planos para o futuro? Pretendes expandir a marca e criar novas peças?
Agora estamos a expandir a coleção feminina com o aumento das lojas no estrangeiro. Já temos algumas colaborações faladas para podermos aumentar a nossa seleção de produtos. Para o ano o objetivo é expandir para coleção de homem e quem sabe algumas peças infantis.

Onde podemos encontrar as tuas peças à venda?
Ora, por Portugal temos a Fair Bazar, na Embaixada do Príncipe Real, a Organii Concept no LxFactory, nas Galerias de São Bento, no Sapato Verde, no Cais à Porta, em Aveiro e brevemente na Casa Mãe em Lagos.

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Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Näz