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Guardiões da Galáxia Vol. 2: o melhor de uma sequela

Guardiões da Galáxia foi um filme surpreendente. Em 2014, ninguém poderia acreditar que este filme seria um sucesso. James Gunn, o realizador, vinha de um meio verdadeiramente independente, tendo feito Super e Slither anteriormente – é também o argumentista de Scooby-Doo (Raja Gosnell, 2002), mas vamos não pensar muito nisso. Não sabem que filmes são? Pouca gente sabe. Quando a Marvel Studios anunciou este filme, também ninguém podia prever o sucesso de uma equipa rebelde sem nenhum do star power de um Capitão América. Ou sequer de um Falcon. Mas Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Groot (com a voz de Vin Diesel) e Rocket (com a voz de Bradley Cooper) acabaram por conquistar espectadores por todo o mundo. O filme ofereceu uma aventura por uma galáxia multicolorida mas vivida (como se Star Wars tivesse tomado LSD), onde os personagens acima mencionados se tornavam uma pequena família e cuja amizade acaba por ser, de uma forma magnificamente não-cínica, a verdadeira arma que salva a galáxia (tornando-os os guardiões da mesma).

Nesta sequela, o que é que poderíamos querer? Uma aventura que divirta, abrir caminho por novos planetas e mundos, conhecer novas espécies, ir mais a fundo no sentido de unir ainda mais esta família de misfits e ter um payoff emocional que vá para além de explosões. O trabalho está dificultado porque, agora, a bitola subiu. James Gunn fez um primeiro Guardiões absolutamente delicioso e toda a gente espera mais e melhor. Inevitavelmente, poderá haver desilusões. Mas, a meu ver, Guardiões da Galáxia Vol. 2 é o melhor que uma sequela nos poderia oferecer. Há momentos verdadeiramente divertidos – como uma sequência de genérico ao som de “Mr. Blue Sky”, de Electric Light Orchestra, que subverte todas as expectativas e delicia os fãs de Baby Groot, vários momentos espalhados pelo filme, bem como 5! sequências pós-créditos (em dentro dos créditos) que são apenas tidbits feitos para nos porem bem dispostos – e outros incrivelmente poderosos. Se no primeiro filme, Peter tem de lidar com a memória da morte da mãe, agora terá de lidar com a sombra de um pai (Ego, also known as Kurt Russel, o melhor ator para o papel – ou para qualquer papel) alienígena, poderoso e com planos misteriosos para a galáxia (e, quiçá, universo).

Em Guardiões da Galáxia Vol. 2, temos também direito a um Baby Groot absolutamente perfeito, um alargamento dos papéis de Nebula (Karen Gillan), a irmã adoptiva-em-circunstâncias-horripilantes de Gamora, e de Yondu Udonta (Michael Rooker), a figura paternal de Quill, que é o mais velhaco Ravager da galáxia. Howard the Duck volta para um pequeno cameo e Sylvester Stallone também (e há outros muito bons, mais para o final). É, no fundo, uma reunião de Tango & Cash (1989) em que nem Tango (Sylvester Stallone) nem Cash (Kurt Russell) partilham cenas. Quanto ao segundo volume da popular banda sonora do primeiro filme? Há desde Fleetwood Mac a Jay and the Americans e é fantástica.

Já mencionei que este filme é mesmo óptimo? Ainda bem.

Texto: Ana Cabral Martins
Imagem: Direitos Reservados