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Golden Slumbers, duas irmãs e uma melodia

A música portuguesa está mais rica do que nunca. O país borbulha de criatividade e de jovens corajosos o suficiente para se imporem no panorama pouco motivador da cultura em Portugal. Em terra de persistentes marinheiros, erguem-se, assim, novos e entusiasmantes projectos musicais, atracando em palcos por todo o país com oferendas de música de qualidade.
No passado dia 4 Abril, a abertura dos Brass Wires Orchestra deixou o público rendido. Falamos de Golden Slumbers, duas irmãs que se acompanham em melodias deliciosas, para deixar em repeat o dia inteiro. Estivemos à conversa com Catarina e Margarida Falcão, donas das doces, mas fortes e confiantes vozes do duo.

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Como surgiram as Golden Slumbers? O que vos motivou a começar a tocar?
MARGARIDA: Nós somos irmãs, tínhamos gostos musicais parecidos e íamos ver bandas que gostávamos a tocar, eu imaginava-me naquela posição, falei com a Catarina e começámos a compor coisas juntas.

Que sorte, logo as duas irmãs gostarem de música e cantarem…
M: Nós temos um terceira irmã, que também canta, e hoje pela primeira vez vai cantar connosco. Como é que a vossa família reagiu a esta escolha?
CATARINA:  Reagiram bem, nós desde pequeninas que cantamos, sempre fizemos concertos de covers com a nossa outra irmã também, portanto não foi assim nenhuma surpresa. E também sempre nos incentivaram imenso…

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Sendo irmãs, como funciona o processo criativo? É mais fácil ou discutem muito?
C: Eu sou um bocado preguiçosa às vezes, e ela a compor é mais activa, portanto nisso funcionamos bem, porque ela puxa por mim. Mas claro que, como irmãs, discutimos de vez em quando, faz parte. M: Eu não tenho razões de queixa. O nosso processo criativo é super natural.
C: Temos confiança uma na outra e à vontade, se precisarmos de dizer alguma coisa, dizemos, ninguém fica ofendido. Nós também compomos coisas separadamente, para os nossos projectos a solo ou outras bandas, portanto podemos sempre guardar e reutilizar essas ideias que eu não gosto ou ela não gosta, aí.

Para quem não vos conhece ainda, como descreveriam a vossa música?
C: Folk, por vezes um bocado pop.
M: Harmonias, muitos arranjos vocais.

Ambas gostam do mesmo estilo de música portanto. Nos vossos projectos a solo seguem a mesma linha musical?
C: Eu continuo, não sei sair desta área.
M: Eu trabalho noutras coisas que já não têm nada a ver com isto, mas as coisas sozinha são no mesmo género musical. Mas é engraçado porque nós há uns tempos não ouvíamos as mesmas coisas, mas como eu queria ser igual à Catarina quis ouvir as mesmas coisas.
C: Chegou a ser ela a mostrar-me o resto das músicas da minha artista favorita, Laura Marling, na altura só conhecia algumas. Nesse caso, fui influenciada.

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Vocês têm tocado um pouco por todo o país, qual foi até agora o melhor palco?
C: No cine-teatro em Santa Maria da Feira, fomos muito bem recebidas. Nós não temos o maior jeito para falar em público, mas as pessoas divertiram-se. Acho que sentiram a nossa timidez numa forma positiva.

Quais são os plano para o futuro?
M: Queremos um álbum para 2016.
C: Sim, vamos começar a trabalhar nisso este verão. É a minha parte favorita!

Texto: M Teresa Lucas
Fotografia: Beatriz Pereira