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A JIGSAW, NO TRUE MAGIC

A Jigsaw nasceram há cerca de 15 anos, que lançam agora o seu quarto álbum NO TRUE MAGIC, fruto de um trabalho de três anos. O conceito? Junta mortalidade, imortalidade, e mais algumas fortes palavras, em músicas onde tocam cerca de 20 instrumentos, e convidam grandes nomes a participar neste disco.

Em primeiro lugar, como se descrevem enquanta músicos e enquanto banda?
Dado que já estamos juntos há cerca de 15 anos em a Jigsaw, torna-se complicada a separação descritiva entre o que somos enquanto músicos e enquanto banda. Já existe um equilíbrio tal entre nós os dois ( João Rui e Jorri) que se torna difícil de considerar a pergunta como se fossem duas. Isto porque a experiência destes anos nos levou a crescer enquanto pessoas e músicos a criar música em conjunto. O mais simples será dizer que somos uma banda cuja inspiração, tal como o de quase todas as bandas de música contemporânea, parte dos blues, que são a origem de tudo. A diferença será porventura que temos a perfeita noção dessa raiz. Isto sem esquecer a palavra; a literatura. O nosso objectivo maior é sempre servir a palavra e a criação de uma obra de arte que represente uma simbiose perfeita entre música e palavra.

Existe algum motivo para o nome “A Jigsaw”
O motivo da escolha deste nome remonta há 15 anos, quando decidimos escolher o nome da banda. Adoptamos o títulos de uma canção (jigsaw you) do grupo belga dEUS, que por sua vez adoptou o título de uma canção do grupo sugarcubes. Como à data da criação de a ajigsaw os dEUS eram aquela banda cuja música gerava mais consenso entre nós, decidimos continuar a tradição deles e ficamos com o nome dessa canção.

“No True Magic” é o vosso novo álbum. Falem-nos sobre ele.
NO TRUE MAGIC é o fruto de três anos durante os quais estivemos a preparar o conceito deste álbum e em que criamos as canções que melhor o poderiam servir. Como se fosse a criação de um livro. É o nosso quarto álbum de originais e o primeiro em que estamos como duo. Claro que isso não nos impediu de entre nós os dois de gravar cerca de 20 instrumentos entre ambos. Temos o privilégio de contar neste álbum com presenças de luxo, como foi o caso da norte-americana  Carla Torgerson (vocalista dos walkabouts) no primeiro single canção Black Jewelled moon, onde também participa a Susana Ribeiro no violino. Contamos ainda com três contrabaixistas, o Pedro Serra, o Miguel Gelpi e o Gito Lima que para além do contrabaixo ainda foi o responsável pelo design do álbum. Tivemos também a Maria Côrte no violino, harpa e viola de arco, o Laurqent Rossi na trompa e ainda o Hugo Fernandes no violoncelo. Atendendo ainda a que para nós os álbuns são obras de arte que não devem encerrar-se apenas no áudio, tivemos a colaboração magnífica nas fotografias que completam o álbum da Sofia Silva, Miguel Duarte e Paula Lourenço que recorrendo a métodos alternativos de captura e impressão das fotos em madeira ajudaram ao imaginário por nós criado.

Porquê os conceitos de mortalidade e imortalidade? O que significam para vocês?
Eles acabam por ser faces opostas da mesma moeda, ou se quisermos a mesma face da mesma moeda dependendo de como as quisermos encarar. Há um peso no facto de nós recordarmos de que temos os dias bem contados; e ter a perfeita consciência a todos os momentos desse facto seria demasiado para nós atrevermos a dar um passo sequer. Estaríamos esmagados por esse ‘saber’. Assim nós suspendemos voluntariamente o nosso julgamento em relação a essa verdade. No True Magic acaba por ser uma recordação do fim dessa ilusão.

Se tivessem que resumir a vossa música numa palavra, qual seria?
Não o faríamos de bom grado porque apenas uma palavra não seria o suficiente para condensar tudo o que ela representa para nós. Então deixaríamos apenas o silêncio da ausência dessa escolha.

Têm algum ritual ou hábito antes de entrar em palco?
Nunca tivemos um ritual antes de entrar em palco. Esse existe sim apenas quando já estamos no palco quando interpretamos as canções e acendemos a chama do coração da canção de forma a que consigamos aproximar as pessoas que estão a assistir o concerto do mais puro do coração da música; da génese da sua criação.

http://www.ajigsaw.net/

Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Direitos Reservados