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A estreia de “The Crown” ou como a Rainha Isabel II se tornou nela própria

Hoje, 4 de novembro, a Netflix estreia a sua primeira série original inglesa, de 10 episódios, The Crown, tendo como protagonistas Claire Foy, Matt Smith e John Lithgow. A partir de um guião e pesquisa de Peter Morgan, esta série revelará o percurso privado da Rainha Isabel II (a atual regente de Inglaterra), por trás da fachada pública, pondo a descoberto a sua sinceridade audaz e levando o espectador a conhecer o que se passou por detrás das portas fechadas de Westminster e do Palácio de Buckingham.

Esta nova série narra a vida da Rainha Isabel II (Claire Foy), que com apenas 25 anos de idade se viu confrontada com a perspetiva de liderar a monarquia mais famosa do mundo. Ao mesmo tempo, ela vai fortalecendo a sua relação com o envelhecido e lendário primeiro-ministro, Sir Winston Churchill (John Lithgow). Este defronta adversários políticos que o querem afastar da governação e a jovem rainha terá que decidir a quem oferecer a sua lealdade. Isabel II tem ainda de enfrentar o declínio do Império Britânico e um mundo político em desordem. O facto de ser uma jovem mulher que assume o trono marca o início de uma nova era.

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Juntamente com o guionista Peter Morgan (A Rainha, Frost/Nixon), The Crown reúne uma equipa de luxo: o realizador Stephen Daldry (Billy Elliot, As Horas) e o produtor Andy Harries (A Rainha, um filme de Stephen Frears baseado no rescaldo da morte da Princesa Diana e focado na Rainha Isabel II, com Helen Mirren nesse papel). Baseada na premiada peça de teatro, The Audience (também da autoria de Peter Morgan)*, a série The Crown conta a história privada da Rainha Isabel II, no início do seu reinado, revelando as intrigas, os romances, bem como as rivalidades políticas e pessoais, nos bastidores de alguns dos grandes eventos que formaram a segunda metade do século XX.

Se à primeira vista, a série pode parecer um substituto de Downton Abbey – design de produção sumptuoso, batalhas geracionais, um personagem que manda sempre umas boas piadas, bem como a elevação automática de qualquer conteúdo audiovisual que seja falado com o sotaque britânico – mas série da Netflix é, fundamentalmente, muito mais ambiciosa do que qualquer apelo telenovelesco que tenha cativado as audiências de Downton Abbey, se bem que essa ambição também acaba por ser contra-producente para The Crown uma vez que é completamente – de uma maneira que Downton Abbey nunca chegou a ser – unrelatable, ou seja, os problemas que aparecem não são problemas que possam ser considerados, pelo mais comum dos mortais, enquanto problemas. Em vez de dramas pessoais, há dramas políticos (como não poder casar por amor ou outros mais geopolíticos).

Contudo, há prazeres reais nesta série que vão desde os cenários e as roupagens deslumbrantes aos incríveis atores britânicos que compõem o elenco. A par de Claire Foy e John Lithgow estão Matt Smith como o príncipe Filipe, Victoria Hamilton como a Rainha-Mãe, Jared Harris como o Rei Jorge VI, Vanessa Kirby como a princesa Margarida e Dame Eileen Atkins como a Rainha Mary, entre outros.

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*Esta peça centra-se nas reuniões semanais entre a Rainha Isabel II e os seus primeiros ministros.

Texto: Ana Cabral Martins
Imagens: Direitos Reservados/ Netflix

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