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A Era da Flanzine

A Flanzine nasce de uma vontade de materializar a era do tecnológico, voltando ao formato do papel e apresentando temas e notícias que num computador se tornam efémeras.
A Magnética Magazine esteve à conversa com João Pedro Azul, editor da Flanzine, sobre este projeto e as histórias por detrás de cada edição.

Em primeiro lugar, como nasceu esta vontade de criar a Flanzine?

A melhor forma de abandonar determinadas coisas é iniciando outras. Eu estava a fazer um mestrado em multimédia, estava na fase de escrita da tese, e começava a arrastar-me e a penar com aquilo. Assim nasce a vontade de criar algo cujo cerne estivesse ligado ao tecnológico e virtual para se materializar em algo clássico, em papel. Como precisava um parceiro de luta desafiei o Luis Olival, amigo apenas do Facebook, ambos da mesma geração e com um sentido de humor próximo. Faltava-nos um terceiro elemento que desse corpo às nossas ideias: Filipa Campos – designer. Foi assim que começámos.

Existe algum significado no nome?

O nome é claramente uma fusão entre a instantaneidade do pudim flan, análoga à das redes sociais, e do objecto fanzine.

A revista nem sempre foi em formato papel. O que vos levou a criar um suporte físico?

A revista sempre foi idealizada em papel. Sem ser uma questão revivalista, desde logo sentimos a necessidade de inverter o sentido natural: do computador para o papel. Elevar os riscos e o investimento. A leitura em papel jamais será ultrapassada pela fria leitura num ecrã.


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Já existem vários números da Flanzine, todos com nomes diferentes. Como surgem estes títulos e os assuntos expostos na revista?

A partir do número 4, o Luís Olival afastou-se do projecto, por motivos de saúde. A escolha dos temas, até aí partilhada pelos dois, passou a responsabilidade minha. Excepção feita ao número 6 – FOME – que resultou de uma escolha de um grupo de 25 autores habituais. Foram esses autores quem escolheu quem participava nesse número. Com a condição de ser a sua estreia na Flanzine. Quanto aos conteúdos, os autores dispõem de toda a liberdade mediante o tema. Neste último número – MENOS UM – estiveram condicionados a criar a partir de uma frase retirada de cada um dos cantos da Odisseia. A selecção das frases foi minha e a informação da sua origem só foi partilhada depois de concluída a sua edição.

Qual o vosso principal objectivo na comunicação? Consideram-se críticos da sociedade?

Quando te é concedido espaço público, acredito que tens esse dever cívico de o utilizares para promover a discussão que leve à melhoria do meio onde te encontras. Dessa forma, há números cuja temática é marcadamente interventiva e provocatória mas depois cada autor dá o seu próprio rumo à coisa. Pessoalmente, faço uso do espaço do editorial para expor o meu ponto de vista.

Para quem não conhece a Flanzine, como a descrevem? O que podemos encontrar em cada número?

Aquilo que enquanto leitor me agrada na Flanzine é a sua disparidade de leituras perante um mesmo tema e a sua qualidade gráfica. A oportunidade de descobrir novos autores no mesmo espaço onde se reencontram consagrados é também um dos seus pontos fortes. Mas sobretudo é um espaço de liberdade criativa.

Como tem sido a reacção do público/leitores?
A reacção foi desde o primeiro número muito boa. A velocidade como o projecto cresceu e chegou a tanta gente não deixa de ser surpreendente pois nenhum de nós tinha experiência nesta área. Em dois anos temos mais de 4000 seguidores no Facebook e recebemos bastantes auto-propostas de participação.


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Onde podemos comprar a Flanzine?

Pode ser comprada nestes espaços:
Porto: Casa de Ló; Gato Vadio; Galeria Dama Aflita, Poetria e Ó! Galeria.

Lisboa: Sr Teste

Cascais: Arte no Livro

Almada: Depósito da Fábrica

Évora: Fonte de Letras

Guimarães: Snob

Vila do Conde: Pátio

Se preferires, podes receber comodamente em casa:

- 1 número – 5€ (nacional) ou 6€ (internacional);
- Assinatura anual (4 números) – 17,5€ (nacional) ou 21,5€ (internacional).


Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Direitos Reservados