2472 Views |  1

6 (ou 7) Pecados Naturais

Elaboradas de forma 100% artesanal e a partir de variedades exclusivamente portuguesas, as pastas de azeitona Quinta de Santa Catarina celebram os sabores da cozinha mediterrânica com requinte, intensidade e imaginação. A ordem correta para os degustarmos não é necessariamente esta – a existir uma -, mas certa ordem é necessária para otimizarmos o paladar. Talvez o verbo faça a experiência parecer algo técnica, por isso deixemos a urgência do gosto de cada um ditar a sequência. Afinal, para pecar não há regras, apenas consequências. No entanto, fica uma sugestão.

Conforto – TOMATE – Base e acompanhamento de muitos pratos da gastronomia mediterrânica, o tomate é a escolha ideal para inaugurar este banquete de sabores. Funciona bastante bem em massas, sobretudo devido à presença dos orégãos.

Intensidade – 4 PIMENTAS – branca, preta, verde e rosa. As primeiras duas são as mais populares na nossa cozinha e não será difícil distingui-las nesta combinação intensa. Porém, se prolongarmos a prova, conseguiremos isolar todos os elementos da fórmula, o que nos fará seguramente ir à procura deles para os incluirmos nos próximos grelhados.

Surpresa - ESPECIARIAS – os cominhos e o cravinho são possivelmente os sabores mais pronunciados nesta pasta. No entanto, à medida que nos embrenhamos no festim de condimentos, isto é, que nos aventuramos numa terceira, quarta ou quintas tostas, só com intuito de descobrirmos se não nos escapou uma pitada de açafrão pelo caminho, ainda encontramos noz-moscada e um toque subtilmente doce… será coco?

Insatisfação – PIRI-PIRI – o mundo culinário tem dualidades curiosas que deliciosamente nos definem e dividem. Por exemplo, há as pessoas de pizza e as de hambúrguer, as de leite e as de chá. E depois há também as de azeitona preta e azeitona verde. As de pimenta e piripiri. Ora, chegamos a um patamar da prova em que essa divisão se desvanece, porque, seja qual for a nossa inclinação, queremos deixar-nos surpreender ainda mais e que os sentidos nos (e)levem onde ainda for possível.

Regresso – ORÉGÃOS – está na altura de voltarmos ao princípio de tudo, ou seja, aos orégãos, antes de chegarmos ao fim. A ideia aqui é depurarmos o ingrediente secreto do pecado original e munirmo-nos de coragem para terminar a aventura.

Gáudio – PRETA – todas as pastas até aqui apresentadas são produzidas a partir da variedade Cobrançosa. Já a pasta de azeitona preta tem origem numa outra variedade nacional, a Galega. Guardámos esta para o fim, como a poderíamos ter colocado na primeira tosta, junto ao copo (branco ou tinto) de vinho que connosco atravessou este passeio inusitado pelo sul da Europa, abrilhantado com o ouro dourado do olival alentejano. A razão é precisamente evitar a confusão entre variedades. Nisto entra novamente o tal jogo antagónico de que falávamos: de um lado estão as pessoas que guardam o melhor para o final; do outro as que não resistem a antecipá-lo.

É pecado não repetir. Bom apetite!

colagem

Texto: Rita Pinho Matos
Fotografia: Direitos Reservados