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“Wonder Woman”: uma super-heroína a sério no grande ecrã

Este pode ser o verão da Mulher Maravilha.
Wonder Woman é um filme que esteve inúmeros anos em produção ou na gaveta. Nunca se conseguiu perceber muito bem o que se queria mostrar desta personagem, fora o facto de Hollywood ser uma indústria com uma tendência para a misoginia e para achar que filmes com mulheres não fazem o mesmo tipo de dinheiro “blockbuster” do que filmes encabeçados por homens – curiosamente, a série Feud sublinha bem esta questão.

Quando a Warner Bros. viu o sucesso que a Marvel estava a ter com o seu universo cinematográfico (do qual fazem parte os Guardiões da Galáxia), quis uma fatia do mesmo bolo. Isso deu origem a Batman v Superman: Dawn of Justice e Suicide Squad. No primeiro, o Superman de MAn of Steel vê-se rodeado pelo Batman e por uma supresa em forma de Wonder Woman. Ela está à procura d euma fotografia antiga dela e assim temos o fio que une este ao filme que estreia hoje. Em Wonder Woman, vemos como é que esta mulher, que aparentemente não envelhece, esteve ligada à Primeira Guerra Mundial.

Gal Gadot faz o papel principal, enquanto que Robin Wright e Connie Nielsen são as sua tia e mãe, respectivamente, amazonas. Chris Pine é Steve Trevor, o homem que rouba o coração de Diana Prince, como se chamam foram de Themyscira, um lugar quasi-mitológico onde as amazonas residem sem a presença do Homem e de homens.

Chris-Pine-and-Gal-Gadot-in-Wonder-Woman

As coisas boas neste filme residem no facto de ser bastante mais colorido, divertido e bem feito – em termos de estrutura e desenvolvimento de personagens – do que qualquer filme que tenho o cunho de Zack Snyder (que escreveu a história, mas não o argumento, que esteve a cargo de Allan Heinberg, imagino que depois de passes feitos por muitos outros argumentistas). E, muito mais importante por ser uma mulher a realizar um blockbuster (qual foi a última? Eu não me lembro de nenhuma afazer filmes a este nível), Patty Jenkins consegue, assim, distanciar o seu filme do doom & gloom dos filmes anterires de super-heróis (sim, até dos magníficos Batman de Christopher Nolan). Este é um filme que se distingue, finalmente, no Extended Universe a DC Comics (e Films) por ser genuinamente interessante, com humor, leveza, uma mensagem. Mas a melhor-melhor parte? É uma mulher que está a lutar. Wonder Woman pode não parecer um marco significativo até vermos com os nossos próprios olhos como é importante ver uma mulher a fazer exactamente o mesmo que que todos os super-heróis homens (estou a olhar para vocês, Chris). Pode parecer estranho em 2017 ainda existir desiguldade entre os sexos mas existe. As mulheres ganham menos e são menos e muito pior representadas na cultura contemporânea. E, sobretudo, são representadas através do olhar de homens, o que não é necessariamente ideal mas não é bom. Como Jessica Chastain diria, chega a ser “disturbing“. Nos Estados Unidos, a cadeia de cinemas Alamo Drafthouse criou algumas sessões deste filme exclusivas para mulheres. De repente, surgiram uma data de homens a dizer que era “reverse sexism” e que se fosse ao contrário ninguém permitiria. Mas a questão está bem explicada e defendida (sim, porque estes sessões não fazem mal nenhum, nem impedem outros de ver o filme, é só uma maneira de criar um momento de comunhão dado que é um evento tão raro #sisterhood) na Jezebel e pelo male feminist Don Cheadle. Vamers-FYI-Movies-Full-Length-Wonder-Woman-Trailer-is-Stunning-Screen-Shot-06

Ver a Wonder Woman a salvar o dia é glorioso. E só por isso vale a pena.
Coisas menos boas? A certa altura é um pastiche do Captain America: The First Avenger (da Marvel) e isso é desapontante e fraco, para além de haver coisas que não fazem sentido e um clímax genérico e cheio de efeitos especiais indistintos. Bem como uma mitologia que fará amantas greco-romanos chorar.
Mas ver a Wonder Woman a salvar o dia é glorioso. E só por isso vale totalmente a pena.

Vejam o trailer em baixo:

Texto: Ana Cabral Martins
Imagens: Direitos Reservados