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We shall overcome! – Rita GT no MNAC

2015 (4 de dezembro): Rita GT (1980) apresentou no Museu do Chiado/MNAC, no âmbito da programação do ciclo “Echoes on the Wall” (cujo objetivo, definido pela curadora Adelaide Ginga, é dar visibilidade a jovens artistas portugueses no estrangeiro) a performance “We shall overcome”. Convocando a música (Keziah Jones) e a dança para uma intervenção artística em que participaram várias pessoas (amigos, como lhes chamou Rita), a performance a que a Magnética teve o privilégio de assistir durou cerca de uma hora e juntou muita gente no átrio do MNAC que arriscou e ganhou a aposta. A performance correspondeu à inauguração da exposição individual da artista, composta precisamente pelo registo em vídeo (para além da intervenção na parede), patente no MNAC até dia 10 de janeiro de 2016.

Percebam como tudo se passou no Parlapié, mas não deixem de visitar a exposição.


1968: mais de 50 mil pessoas entoaram “We shall overcome” no funeral de Marther Luther King. Antes de ser assassinado, perante outros milhares de pessoas, proferiu a mesma frase, naquele que foi o seu último discurso. Nas marchas de Selma para Montgomery (1965) ouviram-se as mesmas palavras de ordem que, anos depois, adaptadas para checo, foram gritadas no contexto da Primavera de Praga (1989). Joan Baez e Bob Dylan, entre outros, fizeram versões da canção que teve origem num cântico de gospel do séc. XIX e foi adaptada por Pete Seeger. Nos anos 60, tornou-se o hino dos movimentos de luta pelos direitos civis dos negros na América do Norte.

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Ouviu-se, e ouvir-se-á, muitas e muitas outras vezes, ao longo da História, a frase icónica, mundialmente famosa, cantada, gritada ou dita em surdina, sempre em contextos de contestação, protesto e reivindicação associados à luta pela liberdade (de expressão, de movimentação e tantas outras) pela igualdade (de direitos sociais e raciais) e pela democracia.

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No atual contexto, em que atos terroristas marcam a ordem do dia, em que milhares de migrantes fogem da guerra e esbarram em fronteiras fechadas, em preconceitos e extremismos; em que o racismo, o conservadorismo e o radicalismo ganham terreno, faz todo o sentido que se grite, uma e outra vez, de forma pacífica: we shall overcome!

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Texto: Cristina Campos
Fotografia e Vídeo: Beatriz Pereira