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Vasco Vicente: um diretor de arte numa das melhoras agências de publicidade

Vasco Vicente é um artista que trabalha atualmente na W+K em Amesterdão como Diretor de Arte desde 2011. Foi através de uma participação nos Kennedys que foi aceite na empresa e não hesitou. O seu conselho? Todos os criativos devem sair do seu país por algum tempo para ganhar referências, conhecimento e inspiração cultural.
Vejam a entrevista e visitem o seu site, onde tem trabalhos com inúmeras marcas e nomes, sendo a Nike um dos seus trabalhos mais recentes.

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Vasco, quando é que a arte entrou na tua vida? Sempre te identificaste com este lado mais criativo?

Aos 4 anos já frequentava a Academia de Belas Artes e Música. Desde pequeno que criei uma ligação forte com as artes plásticas, parecia estar incorporada na cultura da instituição. Acho que nunca pensei ou interroguei a minha relação entre o papel e o lápis, o vazio entre os cantos da folha de papel nunca me deixou nervoso ou inseguro, pelo contrário: sempre adorei o desafio de começar algo do zero.  A partir do momento em que aprendi a desenhar e perceber o potencial de exprimir pensamentos e ideias através do desenho, ganhei o gosto pela prática e não parei até aos dias de hoje.

Fala-nos do teu percurso até aos dias de hoje, o que mais te marcou, e como surgiu a oportunidade de ir para Amesterdão?

Um dos momentos mais marcantes na minha carreira criativa foi o contacto com o universo do Design Gráfico através da Universidade, apaixonei-me de imediato por toda essa linguagem relacionada com a cultura visual, a ilustração, a tipografia, os posters e identidades. Descobri que ambos os universos se interligavam de forma bastante orgânica e que ambos dependiam um de outro para a sua existência. Do esboço aos programas vetoriais, da ilustração à animação, da maquete ao programa de 3D, da fonte á finalização do Poster. Quando participei nos “Kennedys” – programa criativo da W+K em 2011 – fui aceite e não hesitei em sair de Portugal. Não é todos os dias que se tem a chance de trabalhar como Diretor de Arte para uma das melhores agencias mundiais de publicidade. A partir daí, a minha vida deu uma volta 360 graus.

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Como identificarias o teu estilo? Que tipo de trabalhos te dão mais prazer fazer?

Existem dois universos onde o meu trabalho existe: a parte comercial onde crio campanhas globais como diretor de arte, onde a parte áudio visual é o media mais importante, e depois como artista / Ilustrador / Designer onde sou o meu próprio Diretor Criativo e tenho a liberdade total para criar consoante o briefing.
Sou bastante influenciado pela cultura nipónica, sempre vi bastantes animações, livros de banda de desenhada e joguei muitos videojogos onde a linguagem gráfica é bastante forte e consistente, especialmente em termos tipográficos e ilustrativos. Penso que é visível esse traço visual mais pertinente nas minhas composições ilustrativas, onde o preto é a cor predominante através de texturas detalhadas e cores vivas.

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Como artista visual que trabalha na área da Ilustração, Animação e Design Gráfico existe uma versatilidade de diferentes briefings que são bastante aliciantes, poderá ser a criação de uma imagem gráfica para a capa de um álbum de música ou mesmo um poster para um evento cultural, ou um branding para uma marca de roupa com componentes ilustrativos, ou até mesmo uma animação para um artigo editorial.
Como diretor de arte sinto uma enorme paixão anexada à produção de filme, existem projetos em que formato publicitário ultrapassa qualquer mensagem, mas definem momentos únicos da nossa cultura Popular. Felizmente tive a oportunidade de ter vários “dream” briefings onde pudesse, não apenas pensar numa ideia para um filme televisivo, mas criar um diálogo provocativo de 360 graus entre vários canais. Por vezes, uma boa ideia é muito mais forte do que uma execução bonita e elegante. O meu último projeto para a Nike Women da Rússia é o perfeito exemplo, onde penetramos cultura e criamos uma discussão social onde o público alvo interage com o próprio storytelling.

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Existe algum trabalho que tenha sido mais especial para ti?

Como Artista, desenhar uma coleção para a Nike foi bastante satisfatório. Foi um projeto que recentemente fiz chamado Nike B.O.S.S, que consistiu numa coleção para a Nike onde foi aplicada a marca em diferentes peças, tais como casacos, gorros, calças etc. Foi um projeto de identidade onde a ilustração fez parte da imagem gráfica.

Como vês o universo do design e da ilustração em Portugal? O que pensas que ainda falta? Ou quais os pontos altos do que se faz nacionalmente?

Acho que temos bastante talento em Portugal e bastantes referencias portuguesas lá fora. Temos inúmeros exemplos de artistas que estão a dar cartas em Portugal a nível gráfico, tipográfico e artístico. Penso que o que nos falta é aquela extra motivação para nos inspirarmos e aprendermos com referências internacionais. Toda a gente devia sair do Pais pelos menos por um ano, para perceber outras culturas que podem ser a chave para futuras colaborações fora de Portugal. Sair da zona de conforto faz parte do nosso crescimento como pessoa e como criativo.

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São vários os prémios que já recebeste, bem como os trabalhos que tens vindo a realizar. Em que estás a trabalhar neste momento? De que forma estes prémios te têm aberto portas?

Neste momento acabei de terminar uma campanha para a Nike Women Russia e tenho vários projetos pessoais em desenvolvimento. Os prémios são gratificantes, mas não a prioridade número 1, as colaborações e parcerias para projetos futuros são muito mais aliciantes do que um Leão na Estante. Na W+K os Prémios estão na casa de banho com um propósito, o objetivo é fazer bom trabalho e não trabalho para o prémio.

Existe algum plano ou projeto para o futuro? Alguém ou alguma marca com quem gostasses de vir a trabalhar?

Neste momento estou a trabalhar com a abertura do novo Skatepark de Amesterdão. como skater é um dream job estar envolvido neste projeto do início até ao fim com uma equipa fantástica. Para além disso estou a trabalhar numa animação estilo tradicional, onde retrato a História de Portugal quando descobriu o Japão.

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Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Direitos Reservados