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Sofar – Songs from a Room

Ouvir música emergente e assistir a concertos num espaço intimista é o principal objetivo da Sofar – Songs From a Room. É quase um jogo: só se sabe na véspera onde será o concerto, e apenas no dia e na hora se sabe quem é o artista. Por isso, pode-se ver de tudo! A Sofar vai estar presente no BOLD Creative Festival, a dar música aos convidados, nos quatro dias do evento (27, 28 e 29 de abril). Falámos com os responsáveis (Inês Pires e João Alvarez) que nos explicaram tudo sobre este projeto e a forma como funciona. Se querem ter um concerto e uma pequena plateia em vossa casa, já podem saber como.


SOFAR


Falem-nos sobre a Sofar e como funciona.

Sofar significa Songs From A Room e como o próprio nome indica, é um evento que leva o melhor da música emergente a espaços intimistas, de forma exclusiva e secreta: apenas na véspera é revelado o local do concerto e apenas no início do evento são conhecidos os artistas. Em cada edição temos line up de três\quatro artistas que têm 30 minutos de atuação em frente a uma plateia de cerca de 70\80 entusiastas da música. A ideia ganhou vida em Londres através de três amigos, e a partir de uma verdade bastante irónica: nos bares de música ao vivo não se presta atenção nem à música, nem aos artistas.

Para contrariar esta situação, os três amigos convidaram uma dessas bandas para mostrar o seu trabalho em casa de um deles, tendo como plateia um grupo de dez amigos que se sentavam no chão a escassos centímetros dos artistas. Sem saberem, faziam o primeiro Sofar Sounds. O conceito rapidamente contagiou outras bandas e entusiastas da música de diversas cidades que, tal como aquele grupo de amigos, procuram as mais frescas novidades musicais. Los Angeles, Nova Iorque, Berlim, Sidney, Seul, Paris e Rio de Janeiro seguiram o exemplo, assim como Lisboa em 2014 pela mão da Inês Pires que conheceu e “trouxe” o conceito dos Estados Unidos (durante um período em que lá trabalhou).

O João Alvarez entrou no projeto um pouco depois e hoje em dia organizamos em conjunto o Sofar em Lisboa, uma das 240 as cidades que estão a renovar e a recuperar a magia da música ao vivo.


┬®Leonor Fonseca


Qual a reação e opinião do público português a estes eventos?

Pelo feedback que temos tido acreditamos que a opinião é bastante positiva. A forma mais concreta de o provar  é través do número de inscrições que é já cinco ou seis vezes superior à lotação das salas. Esse foi também um dos motivos pelos quais aumentámos o número de edições para duas por mês.
As reações no dia dos concertos são sempre surpreendentes, seja pela descoberta de uma banda nova, seja por encontrarem algum artista conhecido que admiram e que descobriram inesperadamente nas nossas salas.
Com Cícero e com NBC a surpresa foi enorme, principalmente para aqueles que foram pela primeira vez nesses dias. Ficamos de coração cheio quando vemos a sala repleta de sorrisos a aplaudir artistas que desconheciam até então. Esse é o nosso maior objetivo: promover bandas emergentes que (quase) todos os dias surgem por aí. E há tanto talento para ser descoberto.

Onde costumam realizar os concertos? Existe alguma situação ou local especial que vos tenha ficado na memória?

Fazemos em hostels, galerias de arte, espaços culturais, mas damos preferência a casas particulares para manter a essência do conceito Songs From a Room. Culturalmente, Portugal não é um país onde as pessoas abrem as portas de sua casa a 60 desconhecidos, mas felizmente temos tido mais abordagens de pessoas que querem receber o Sofar em sua casa. Sentimos que transmitimos confiança às pessoas e isso é importante. O espaço que mais gostámos até agora foi o Há Coisas no Limoeiro. Pela atmosfera, pelos artistas envolvidos e pelo intimismo que o espaço proporcionou.

Há várias formas de fazer parte de um concerto. Quer seja a atuar, ou a ver um concerto, ou até mesmo a recebê-lo em nossas casas. Como procedemos a qualquer um destes acontecimentos?

Basta aceder a www.sofarsounds.com/lisbon e preencher um pequeno formulário ou entrar em contacto connosco por email ou por Facebook. Prometemos que respondemos sempre.


Sofar Sounds


Se a Magnética Magazine desse um concerto, qual seria o local ideal para isso?

Talvez na Mãe d’Água nas Amoreiras pelo efeito magnetizador que aquele espaço nos transmite. Colocar os artistas e a plateia numa plataforma em cima de água seria incrível e a envolvência da “sala” faria desta uma edição mágica.

Existe algum plano para o futuro ou algo que queiram mesmo fazer enquanto Sofar?

Temos planos muito concretos daquilo que queremos fazer a curto e longo prazo. Queremos aumentar o número de cidades Sofar Sounds em Portugal pelo que estamos em conversações com possíveis candidatos a receber o Sofar em Coimbra, Leiria, Braga, Guimarães e Faro. Queremos aumentar o número de plataformas onde comunicamos o Sofar e os artistas que por aqui passam, por isso fizemos recentemente uma parceria com a Rádio Defusão. Temos também um grande objetivo para 2017 que estamos a trabalhar há alguns meses mas ainda não podemos revelar – o segredo faz parte do nosso ADN.

Contudo o nosso foco continuará a ser sempre a promoção e divulgação da música emergente num ambiente acolhedor e intimista e, se possível, conjugá-lo com atuações surpresa de artistas (re)conhecidos.


Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Direitos reservados

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#concerto #música