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Printed Matters

Trouxe a Lisboa uma mensagem de advertência, consencialização política e emancipação social. Por cá, foi possível seguir-lhe o rasto por toda a zona ribeirinha, povoando-a de autocolantes e de posters, que viriam a materializar-se em três obras maiores, os murais. Lisboa retribuiu, na admiração, e o 56 da Rua Fernando Palha, em Marvila, preencheu-se de todas as idades e ramos sociais para ver de perto um dos mais icónicos artistas urbanos das últimas décadas.

Shepard Fairey subsiste num patamar atípico, uma pele de combativismo utópico reveste-lhe a obra, mas o rosto, ao contrário de Banksy, é dado a conhecer. Ao longo de três décadas, o artista norte americano de 47 anos já experimentou opressão, corrupção e a escolha do representante político errado. Mas há, em cada trabalho, um acordar fervilhante, passível de ser directamente colado ao universo de V for Vendetta.

Fairey é, por isso, um dos apogeus artísticos da definição de resistência, e era possível senti-lo na mostra. A música, as cores, os temas das obras, o punk, a sátira. Printed Matters é um bicho em metamorfose, cada vez mais faminto por desigualdade e injustiça, e esta, é uma exposição onde não há lugar a escalas de cinzentos.

A crueza de Printed Matters está patente na Galeria Underdogs, de 21 a 31 de Julho e de 1 a 23 de Setembro. Os murais, na Rua Srª da Glória nº 39 (Graça), Rua Natália Correia (a Sapadores) e Rua José Gomes Ferreira, junto às Amoreiras, são outro testamento à grandeza visual do artista.

O mural na Graça teve a co-autoria de Alexandre Farto (Vhils).

Texto: Tiago Neto
Fotografia e Vídeo: Alexandre Murtinheira