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Outcast Ep. 10: No fim

O penúltimo episódio de Outcast tinha lançado o mote perfeito para um final emocionante e ontem, no décimo e último episódio da primeira temporada, a continuação desses momentos de tensão não se fez esperar. O episódio arranca precisamente com a Amber – filha de Kyle – e a Holy em casa da recém possuída Megan, que acabou de assassinar o marido. As miúdas partem um copo na cozinha, depois tentam esgueirar-se para o quarto sem que Megan repare nelas. Estão só a tentar não ser apanhadas com o snack noturno. Mas à porta do quarto da casa de banho veem Megan. Momento de tensão. Quando percebem que Mark está morto no chão e que Megan está possuída gritam e correm a esconder-se num armário. Megan persegue-as lentamente, vemo-la levar as mãos ensaguentadas aos puxadores do armário e… a cena corta.


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Kyle e o padre Anderson estão a chegar a casa de Megan. Vasculham a casa, mas não há sinal de Megan. Encontram o corpo de Mark. Depois, Kyle vê finalmente os puxadores ensaguentados do armário e teme o pior. Quando o abre, encontra as duas miúdas lá dentro, vivas e ilesas. Tudo acabou bem. Por enquanto.

Esta cena inicial é o grande momento de emoção do episódio, onde o medo é explorado de forma quase perfeita. A tragédia é iminente e, no desenlace, tudo acaba mais ou menos bem: é verdade que Mark continua morto e Megan continua possuída, mas as duas miúdas não foram vítimas do demónio no corpo da tia/mãe. Depois disto, claro, há mais twists e mais momentos de aflição, mas nunca o episódio voltará ao nível da sua abertura, o que é pena.

Tratando-se do último episódio, interessa-me menos descrever o que se passou do que analisar as escolhas que foram feitas na narrativa. Em primeiro lugar, temos os opostos: a equipa de Kyle, padre Anderson e chefe Giles (as miúdas foram deixadas com a mulher do chefe da polícia) quer encontrar Megan e curá-la; a equipa de Sidney, Aaron, Lenny e a sua mulher, quer encontrar Megan e atrair Kyle para um certo local. Até aqui tudo bem.

Vemos Lenny e a mulher no tal armazém do episódio anterior, transformado numa espécie de enfermaria para possuídos, mas o objetivo disto nunca é explicado. Depois de umas peripécias, Megan vai parar a casa de Kyle – o que faz sentido, porque os possuídos têm medo e procuram alguém que os proteja – mas quando ele e o padre percebem isso, já a team Sidney lá tinha ido buscá-la. Entretanto, Aaron raptara Amber, a filha de Kyle, de casa do chefe Giles. Em sua casa, Kyle encontra um bilhete de Sidney e fica a saber que este tem a sua filha.

Todo este jogo de gato e rato ocupa boa parte do episódio. Sim, há uma inquietação bem construída, a atmosfera de medo está lá. Mas porque é que Sidney levou Amber? Para atrair Kyle? Parece que sim. E porque é que Sidney quer atrair Kyle? Não sabemos, não ficamos a saber e isso estraga completamente este final de temporada.

Kyle encontra-se a sós com Sidney, é obrigado a meter-se na mala do carro e a ser transportado para o tal armazém onde estão os possuídos. Quando lá chegam, o que é que Sidney faz de tenebroso? Nada. Prende Kyle na mesma divisão que a filha. Qual é a ideia? Só tê-lo por perto? Se precisam dele, se são demónios cruéis, não havia uma forma mais tenebrosa de levarem o plano avante? Aparentemente, não. E o que é que Sidney faz depois de prender Kyle junto com a filha? Vai-se embora. Enfim…

A única coisa minimamente interessante nesta cena é o diálogo entre Sidney e Kyle. Sidney diz que a sua espécie tenta entrar neste mundo todos os dias, porque não podem ficar no sítio de onde vieram. Quando Kyle pergunta de onde vieram, Sidney diz: “Do mesmo sítio que tu.” Por isso é que onde quer que Kyle esteja, eles estão. Porque precisam dele. Para quê? Não interessa. O diálogo acaba aqui e isto é tudo o que saberemos.


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Claro que o padre Anderson tinha seguido Sidney e estava à espreita. Quando o vê ir embora, entra pelo armazém a dentro, com a maior facilidade do mundo. Nunca fazer frente a demónios foi tão simples. Quando descobre onde Kyle está preso, tenta libertá-lo, mas é atacado. O resto são uma série de momentos de ação muito pouco interessantes, até que Kyle consegue arrombar a porta e sair e ajudar o padre e confrontar Megan. A única surpresa acontece quando Megan o ataca e está por cima dele, no chão, e aparece a pequena Amber a correr e salta-lhe para as costas a gritar: “Não faças mal ao meu pai!” O toque dela expulsa o demónio de Megan. Sim! A filha de Kyle tem os mesmos poderes que o pai. Isso é, inegavelmente, fixe, mas não salva um episódio final bastante fraco.

Levado pela fúria, o padre vai pegar fogo à casa de Sidney, para o matar. Vê um vulto lá dentro e fica descansado. Mais tarde, no entanto, encontra Patricia à procura do filho, Aaron, e enquanto conversam, Sidney passa de carro. O vulto era, claro está, Aaron. Anderson matou o filho da namorada (ou ex-namorada?). A vida continua a correr-lhe mal.


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O episódio acaba com um cliff-hanger para a segunda temporada. Kyle e Amber estão numa bomba de gasolina. Vão procurar outro sítio para viver, um sítio onde ninguém os conheça, não saibam do que se passou em Rome e onde não precisem de usar os seus super-poderes. No fundo, um sítio onde sejam anónimos. Porém, quando reparam, toda a gente naquela bomba de gasolina olha para eles. O que é que isto quer dizer? Que todos os demónios agora os reconhecem como os inimigos? Que para onde quer que vão, haverá dezenas e dezenas de demónios? Não sabemos e, honestamente, a minha curiosidade não é grande.

A primeira temporada de Outcast tem alguns momentos bons, mas no geral o desempenho fica bastante aquém do que esperava. É verdade que o criador, Robert Kirkman, já me tinha desiludido em Walking Dead, mas aí foi só ao fim de quatro ou cinco temporadas. Em Outcast a desilusão veio muito mais cedo.

Texto: Gonçalo Mira
Fotografia: Direitos Reservados