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O toque de Midas de Janie Bryant

Janie Bryant poderia não se ter tornado um household name em termos de guarda-roupa para televisão apesar de ter ganho um Emmy para Melhor Guarda-Roupa pela série Deadwood. Afinal de contas, há muito trabalho, muito bom, que passa sem ser detetado mesmo pelos mais aficionados fãs de televisão e séries.

Mas Janie Bryant foi a responsável pelo guarda-roupa de Mad Men e isso catapultou-a para outra estratosfera. O trabalho dela foi especialmente notável porque o criador da série, Matthew Weiner, é uma pessoa extremamente obcecada com a perfeição (consta que o homem não filmava nem por nada se apenas um cinzeiro não estivesse exatamente colocado da forma que ele pretendia) e quis que todos os detalhes da sua série fossem impecáveis, especialmente por ser uma série de época que percorre os anos 60.

O facto de passar nos anos 60 implicou que Bryant respondesse a dois critérios: ser absolutamente fiel à época em que a série se passava e contar uma história através das roupas escolhidas. Em termos de fidelidade à época, é de notar que a série contraria a tendência de “glamorização” excessiva mesmo quando a vida dos personagens (ou as suas economias) não o permitiriam. Há, sem dúvida pessoas (mulheres e homens) extremamente bem vestidos, mas o golpe de génio deste guarda-roupa (para além de estar sempre au point com os seus tempos) estava em contar tudo o que fosse preciso saber sobre o personagem apenas com um olhar para o que o personagem tivesse vestido. Este olho para o detalhe – fidelidade à época e expressão dos personagens – foi sobretudo assinalado por Tom & Lorenzo que, durante largos anos enquanto a série estava no ar, dedicaram posts semanais ao guarda-roupa de Mad Men. Estes posts, intitulados Mad Style (os mais lidos do seu site, segundo TLo), focavam-se não só em personagens específicas mas, também, nas histórias que as roupas iam contando sozinhas sobre estados de relações entre personagens (se dois personagens usassem o mesmo esquema de cores ou texturas), a evolução profissional ou emocional de alguém (a maneira como Joan vai mudando o seu guarda-roupa ao longo da série), ou mesmo as cores específicas que cada personagem usava em certos e determinados momentos da sua vida (para Peggy, a cor amarela era uma cor de “ir à guerra”).

Depois de Deadwood e Mad Men, Bryant trabalho na série Telenovela (um projecto de Eva Longoria que depois de Donas de Casa Desesperadas entrou no ramo da produção também, tendo, surpreendentemente feito parte da produção de John Wick) e no piloto da Amazon The Last Tycoon.

Mas vamos ao que interessa: imagens que deleitam os sentidos.

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Deadwood

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Mad Men

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The Last Tycoon



Texto: Ana Cabral Martins
Imagens: Direitos Reservados