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O Retorno de Love

“It’s funny, though, when something like this is going really well, I get super nervous, like, ‘Oh, when is something bad going to happen and it’s all going to end?’” – Gus

Love é uma série criada por Judd Apatow, Lesley Arfin e Paul Rust que retorna à plataforma de streaming Netflix para uma segunda temporada. A série segue os protagonistas Gus Cruikshank (Paul Rust), um tutor de uma jovem atriz de uma série campy de televisão chamada Witchita, e Mickey Dobbs (Gillian Jacobs), uma produtora de rádio com problemas de adição, na sua tortuosa caminhada em direção a um potencial romance – que pode ou não correr mal. No fundo, é isso que estamos aqui para ver. Se estes dois conseguem ultrapassar todas as coisas que os fazem ser desajeitados, tóxicos ou más pessoas e construir algo juntos e que faça bem a ambos.

A primeira temporada sofria de um mal bastante Judd Apatow-iano: delongar-se demasiado, quando uma boa comédia pede um sentido de timing muito específico para que piada ou momentos de awkawrdness não caiam no vazio ou se esvaziem – o que, apesar de tudo, não impediu que o charme natural deste casal-in-the-making e desta série se fizessem sentir. A segunda temporada parece muito mais focada, muito menos dispersa e melhor por isso mesmo. Claro que a delonga, ou seja, o facto de acompanharmos todos os detalhes da courtship deste casal é o que torna Love uma série tão fora do normal e tão apetecível. Não são apenas uma coleção de momentos aprovados por Hollywood de como é suposto as relações evoluírem, mas uma narrativa que percorre todas as pequenas (e grandes) humilhações, faltas de comunicação e, também, de ternura e compaixão que existem no dia-a-dia. Na segunda temporada, e embora os episódios estejam mais bem pensados estruturados, não se perde essa sensação de estar a ver uma comédia romântica (calma, é tudo menos “lamechas” ou qualquer outro adjetivo depreciativo que possam atirar na sua direção) em slow motion.

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Depois de uma série de ameaças de começo complicados – ambas as personagens principais demoraram a portar-se como pessoas que quisessem estar numa situação de “vamos ver como isto funciona juntos” – o final da primeira temporada viu Mickey a decidir que tem de lidar com alguns dos seus problemas (alcoolismo, dependência de drogas, dependência de amor e sexo) e vai ter com Gus para lhe explicar que tem de passar algum tempo sozinha, sendo totalmente honesta com ele e abrindo a porta para algo no futuro. Gus, que está a recuperar de um dia de trabalho absolutamente horrível (por sua culpa), não resiste a beijá-la. Acabamos, assim, a pensar que ou isto é a coisa mais romântica possível ou a coisa mais perigosa para o bem estar de ambos. Possivelmente um pouco de ambos.

Os primeiros episódios da segunda temporada – vi os primeiros cinco, até agora – são, sem dúvida, os mais plácidos da série, até agora. Mas sabendo o que sabemos do resto, ou seja, tendo em conta o passado destes dois (juntos e separados), estamos apenas à espera, como dizem os americanos, “for the other shoe to drop”.

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Mickey começa por não gostar da atitude de Gus (por a ter beijado depois de ela dizer que quer passar tempo sozinha) – embora goste dele – e este tenta ter uma conversa sobre o assunto em vez de a deixar completamente em paz. Acabam por passar a noite juntos (embora nada aconteça) por circunstâncias estranhas e hilariantes mais fortes que eles. E ao longo dos episódios seguintes, e com o apoio do grupo SLAA (Sex and Love Addicts Anonymous), estes dois vão-se, slowly but surely, aproximando, criando uma intimidade que é genuinamente bonita de ver. Mickey parece o mais vulnerável que já vimos até agora e com genuína vontade de fazer com que a relação funcione. Gus está seriamente all in. Quando Mickey diz, no final desse episódio, “you’re not going to annoy me”, sabemos que é apenas uma questão de tempo até que esta fase idílica acabe. Mas mantemos os dedos cruzados.

Em breve falamos dos próximos episódios.


Texto: Ana Cabral Martins
Imagens: Direitos Reservados/ Netflix