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Hangar – Plagiar o futuro

No número 12 da Rua Damasceno Monteiro (Bairro da Graça, Lisboa) existe um prédio que pode, mas não deve, passar despercebido. Os seus quatro andares, antigamente ocupados por uma escola de estética, albergam atualmente o Hangar – Centro de Investigação Artística.

Inaugurado em maio deste ano (o projeto de reabilitação é assinado pela Artéria), o espaço independente, gerido por artistas e curadores, apresenta um conjunto de valências assentes na transdisciplinaridade e na experimentação em torno, sobretudo, das Artes Visuais.

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Foto: Hangar©

O Hangar assume-se como centro expositivo, mas também como local de acolhimento de residências artísticas. Espaço de convergência da criação nacional e internacional, disponibiliza ateliers para aluguer e aposta numa programação que tem como ponto de partida privilegiado a cidade de Lisboa (internacionalmente a Ibero-América e África) e se direciona não só para o nicho artístico, como para a comunidade envolvente (destaque para o Mini Hangar).

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Visitámos o Hangar quando estava transformado numa espécie de estaleiro de obras, como é expectável no contexto, saudavelmente frenético e aparentemente caótico, dos dias de montagem que antecedem uma inauguração. Tivemos o privilégio de partilhar essa atmosfera com todos os envolvidos no processo, e eram muitos, e percecionar a importância e a generosidade que envolve o trabalho em equipa.

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Dois dias depois de a Magnética Magazine ter feito a visita, inaugurou a exposição “Plagiar o futuro” (até 27 de fevereiro), em que participam nove artistas (João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Letícia Ramos, Marlon de Azambuja, Elena Bajo, Jordi Colomer, Edouard Decam, Louidgi Beltrame e Rosa Barba) de diferentes nacionalidades (portuguesa, brasileira, francesa, espanhola e italiana), convidados pelos comissários Andrea Rodríguez e Bruno Leitão.

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Foto: Hangar©

O conjunto de obras que compõe a exposição, algumas inéditas, cruzam os universos da arte, literatura, cinema e arquitetura, e materializam-se em diferentes médiuns e suportes (do vídeo à fotografia, passando pela instalação, mas também performance). Remetem o visitante para uma espécie de antecâmara futurista, transportando-o para um universo especulativo associado à ficção científica. Os trabalhos expostos sugerem reflexões à cerca dos tempos que estão para vir, ou seja, fazendo a ponte entre o passado, o presente e o futuro, funcionam como recriações do último; de certo modo, antecipando-o e, por isso, plagiando-o. Mas também contribuindo para alertar, promovendo o debate.

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Foto: Hangar©

Conversámos com o curador Bruno Leitão e com os artistas brasileiros Letícia Ramos e Marlon de Azambuja:

Texto: Cristina Campos
Fotografia: Beatriz Pereira e Hangar
Vídeo: Beatriz Pereira