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Half Naked de Miguel Oliveira

Miguel Oliveira é o fotógrafo desta nova edição de Half Naked, que nos apresenta a sua visão mais intimista e sensual, no projeto Off The Record.
Saibam mais sobre o seu percurso e todos os trabalhos que tem vindo a desenvolver.


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Miguel, antes de mais, conta-nos como surgiu a tua paixão pela fotografia.

Tive a sorte de ter surgido bastante cedo graças ao meu Pai que sempre gostou de fotografia e me foi ensinando à medida que eu ia fotografando, e também com o meu primo o Nuno Fontinha que tal como eu também é fotógrafo a tempo inteiro. Se tivesse de eleger um momento chave onde o interesse foi consumado penso que foi quando tinha 14 anos e fui passar férias aos Açores, porque ao verem as fotografias que fiz lá com uma compacta da HP as pessoas começaram a reparar que se notava algo mais do que apenas um olhar comum.


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Passado uns meses tive a minha primeira reflex, uma canon 400D e a partir daí nunca mais parei de fotografar.
Durante o secundário comecei a fotografar concertos e peças de teatro e participei numa série de exposições e num livro coletivo, o que contribuiu para que o bichinho da fotografia fosse crescendo. Quando acabei o secundário ainda fui estudar arquitetura, mas durou apenas dois anos, porque a paixão pela fotografia já estava demasiado vincada e no fundo eu já sabia que o que queria mesmo fazer era ser fotógrafo.


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Como te descreverias como fotógrafo? O que é para ti mais importante ao captares uma imagem?

Talvez como um fotógrafo todo-o-terreno, visto que tanto estou a fotografar uma manifestação, como depois vou fazer uma sessão fotográfica, um jogo de futebol, concertos, etc…
Embora exista sempre um factor em comum nestas situações que é a presença humana, e é isso que mais gosto de fotografar acima de tudo, as pessoas! O que costumo ouvir sobre o meu trabalho de retratos é que consigo captar a alma das pessoas. Isso, aliado ao famoso momento decisivo (que recentemente fiquei a saber que foi apenas uma apropriação da expressão por parte do Cartier Bresson e que ele nunca quis ficar conhecido por isso), penso que é o que me leva a sair para fotografar, procurar esses momentos decisivos, não gosto muito de os criar, prefiro que simplesmente aconteçam para tentar estar lá para os “apanhar”, apesar de ser mais difícil e exigir uma maior entrega. Obriga-nos a estar sempre atentos ao que nos rodeia.


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Chamou-nos a atenção o teu projeto “Off The Record”. Podes falar-nos sobre ele?

O Off The Record são sessões mais intimistas com mulheres que não são modelos e que por vezes é a primeira vez que estão a ser fotografadas e como eu quase não dou indicações é curioso ver como todas elas se comportam de maneira diferente. As sessões preferencialmente acontecem em casa de quem fotografo, só quando não é possível é que as faço no meu atelier, aliás foi aí que fiz as primeiras, depois é que me apercebi que fazia mais sentido e dava logo um toque diferenciador entre cada sessão se fossem em casa das pessoas.


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Como eu não uso iluminação artificial é um processo bastante simples, sou só eu a minha máquina e três lentes e depois sendo o projeto apresentado a preto e branco só nos temos de nos concentrar na pessoa que está a ser fotografada. Tento que o lema do projeto seja uma frase que um amigo meu o Wandson costuma usar muitas vezes que é “sexy sem ser vulgar”, porque acho que por vezes é mais sexy deixar a nossa imaginação funcionar e pensar no que não se mostra do que levantar logo a cortina e mostrar tudo de caras. Penso que até agora tem sido uma boa surpresa.


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Como surgiu esta vontade de abordar um lado mais sensual da mulher e da fotografia?

Na verdade surgiu numa proposta de uma amiga minha que eu costumava fotografar, que me mandou uma mensagem a dizer que gostava de fazer uma sessão mais ousada, para eu pensar nisso. Essa sessão aconteceu em 2014, e é a primeira série que lancei na Off The Record. O que me fez continuar depois de ter fotografado a Mónica, foram duas pessoas mas só em 2015. Uma delas foi a minha prima a Ana Fontinha que é Fashion Stylist em Lisboa, que quando lhe mostrei a sessão da Mónica me disse que a tinha de publicar e pensar em fazer mais, a outra foi um amigo meu que também é fotografo o Daniel Rodrigues que me mostrou o site C-Heads e foi ao ver esse site que consegui encontrar o caminho que queria seguir com as sessões, basicamente ia continuar a explorar o lado mais ousado e intimista como tinha feito com a Mónica mas sem ser demasiado feito e explicito, queria que fosse e parecesse o mais natural possível. Como era algo que não estava habituado a fazer vi isto como um desafio e mais uma forma de mostrar outra faceta do meu trabalho, sem ser só o trabalho como fotojornalista e de fotógrafo de concertos.


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Para estas sessões fotográficas, existem “candidatas” ou és tu que escolhes as modelos?

Até agora tem funcionado das duas formas.


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Cada vez mais se aborda a sensualidade feminina, de uma forma subtil e que traz uma certa magia à fotografia. Como encaras esta evolução e a disposição das mulheres para serem fotografadas mais intimamente?

Eu penso que desde que o assunto seja tratado com o cuidado merecido, expondo ou não demasiado o corpo feminino, existem maneiras de tornar este tipo de abordagens mais apelativas e que pareçam naturais e menos pornográficas, pelo menos é o que tenho visto de outros fotógrafos que vou seguindo no Behance.
Tendo isso como referência quem fotografo já sabe que só vão expor o que quiserem e que quem controla a sessão são elas. O que tenho reparado é que agora que já tenho o projeto lançado e já publiquei 10 sessões, acaba por ser mais fácil para quem ainda vou fotografar aceitar fazê-lo.


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Para além deste projeto tens também o “Point and Shoot”. Fala-nos sobre isso.

Desde que comecei a trabalhar para jornais em 2012 que senti a necessidade de criar um projeto que não tivesse o meu nome e que fosse mais direcionado para trabalhos comerciais quer fossem trabalhos institucionais, casamentos, batizados, etc…
Ao pensar nisto, surgiu logo a ideia de juntar áreas que se complementassem, como o design e o vídeo podendo assim oferecer mais opções a futuros clientes e sempre seria mais fácil ter ideias para realizar projetos novos e criativos se não fosse só uma cabeça a pensar e foi aí que conheci a Catarina que me disse logo que estava interessada em começar este projeto comigo.
Assim no final de 2013 a Point and Shoot foi criada, temos o nosso espaço na Rua do Almada e temos feito sobretudo casamentos, e trabalhos mais criativos também já fizemos workshops de fotografia. Vamos agora apostar em expandir o nosso mercado e estamos a preparar novidades para o final deste ano.


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Dentro da fotografia trabalhas diversas temáticas, qual aquela em que te sentes mais à vontade?

Acho que me sinto à vontade de qualquer maneira, desde que seja a fotografar. A maquina acaba por funcionar como um filtro para muitas situações. Possivelmente fotografar concertos já seja mais intuitivo pelo facto de os fotografar desde os 14 anos, mas como gosto de fotografar muitas coisas e estar sempre a fotografar em vez de estar a procurar fazer coisas em que esteja à vontade procuro mais fazer coisas que me criem desafios e neste momento o que me cria mais desafios e ao mesmo tempo me dá mais gozo fazer são as minhas mini séries mais criativas como é o caso de uma que fiz na Comic Con que foi publicada no P3 .


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Tens alguma máquina fotográfica que seja ‘A máquina? Qual?

Eu defendo que a nossa melhor maquina é o nosso olho e a forma como olhamos para o que nos rodeia. Só em dezembro de 2013 é que comprei uma 5D Mk III até essa altura tinha uma 400D e uma 10D.
A máquina ajuda a dar qualidade à imagem, as objectivas permitem ao fotógrafo ampliar as possibilidades de abordar o assunto fotografado, mas, se não existir a capacidade de olhar e perceber qual a melhor forma de utilizar o material que se tem, nada feito.
Agora com a moda dos telemóveis também cheguei à conclusão que as limitações que cada máquina possui te faz criar uma linguagem diferente. As fotografias que tiro com o telemóvel para o meu instagram, em termos estéticos são completamente diferentes das fotografias que tiro com a minha máquina.


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Se pudesses levar qualquer mulher do mundo para o “Off The Record”, quem seria?

Acho que nunca pensei muito nisso até porque se for a pensar existiriam imensas, por isso assim de cabeça e porque sou meio fanático por filmes/séries de super heróis, talvez a Emma Stone e a Katie Cassidy.


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http://www.offtherecord.pt/

Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Miguel Oliveira