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Half Naked de Kid Richards

Para a segunda série de Half Naked, escolhemos Kid Richards, o fotógrafo que descobriu a magia do analógico há 5 anos atrás. 
O gosto pela fotografia e a vontade de se desafiar a si próprio e criar algo diferente resultou num conjunto de imagens simples, cruas e muito sensuais.
A Magnética quis saber mais sobre o olhar que se esconde atrás das máquinas analógicas. 

 

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Em primeiro lugar, como e quando nasceu esta tua paixão pela fotografia?

Foi há cerca de 4 ou 5 anos atrás. Sempre tive muita curiosidade em relação à fotografia analógica, e nessa altura decidi comprar a minha primeira máquina analógica e o primeiro rolo. Durante imenso tempo, essa máquina andou sempre comigo, e comecei a fotografar como diário. Fotografava tudo o que tinha interesse para mim, e todo o trabalho que fiz nessa época, e agora olhando para trás, acaba por contar a historia da minha vida nesse período de tempo. Se tudo correr bem, antes do verão deverá sair um livro com com todas essas fotografias e essa história, chamado “Let it go”.

 

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A tua fotografia sempre foi analógica ou essa foi uma mudança a meio do processo de fotografar?

Tive algumas máquinas digitais, mas nunca me suscitou grande prazer ou curiosidade em fotografar com elas. Claro que as usava mas nunca com o prazer com que o faço com as analógicas. Quando tive oportunidade de comprar a primeira analógica, nunca mais voltei a fotografar em digital, nem tenciono fazê-lo.
Proibi-me a mim próprio de o fazer. É meramente uma opção.

 

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Se te tivesses que definir enquanto fotógrafo, o que dirias sobre ti?

A primeira coisa que diria sobre mim: Não sou fotografo.
Sou curioso, por imensas coisas, incluindo a fotografia analógica, mas penso que isso não faz de mim um “fotografo”. Mas estou bastante feliz e confortável com o que tenho feito nesta área, pelo menos tenho-me divertido imenso, e essa era e continua a ser a premissa principal.  Não gosto de tirar apenas uma fotografia a uma pessoa bonita. Gosto de pensar nessa fotografia, de fazer testes e experiências, gosto que essa fotografia seja mais do que uma fotografia a uma mulher bonita. Gosto de tentar captar tudo o que essa pessoa é, da melhor maneira que posso. Gosto de todo o processo, desde abrir a caixa do rolo, ao toque, aos sons. A não ter um visor atrás da maquina para ver o que estou a fazer. E gosto de todo o risco que isso implica.

Para ti, o que é essencial existir numa imagem/fotografia?

Personalidade, subtileza, elegância, naturalidade, ausência de filtros.

 

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Quais as tuas máquinas fotograficas? Existe alguma “de sonho” que gostasses de ter?

Neste momento tenho cerca de 60 ou 70 máquinas em casa, a maior parte delas, maquinas baratíssimas. Algumas mais especiais que outras. Penso que acaba por não existir grande regra no sentido de teres que ter uma máquina caríssima, para fazer fotos incríveis. Claro que com uma óptima lente e uma óptima máquina, consegues melhores resultados, mas isso não é sempre sinónimo de um óptimo trabalho.

 

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O conhecimento e técnica são importantes, mas na minha opinião, não são tudo. Essa questão acaba por ser transversal em vários campos da arte, podes saber as escalas todas numa guitarra e ser mega virtuoso, e mesmo assim não conseguir fazer um riff simples intemporal de rock ‘n’ roll! O mesmo se passa com a fotografia. Acho que tem muito a ver com a alma e o amor que pões nas coisas, e isso para mim é o mais importante. Que se lixe a técnica, eu não tenho nenhuma.

 

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De volta às máquinas, gosto muito de estar constantemente a usar máquinas diferentes e fazer experiências, mas ao mesmo tempo também tenho máquinas que uso sempre como as Canon F1 e F1-N, Mamiya RB67 Pro-s, Contax Tvs, Olympus AF-1, entre outras. Em relação a máquinas de sonho…há imensas máquinas que gostava de ter, mas estou bastante confortável e contente com as que tenho agora.

 

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Uma rápida pesquisa pelo teu nome e surgem inúmeras fotografias de raparigas e mulheres, em formato analógico e muita sensualidade. Quando surgiu ou quando decidiste apostar nesta área mais ousada?

Surgiu como um desafio que fiz a mim próprio. Na altura já estava a fotografar em analógico. Sempre fui bastante interessado em pesquisar imagens e fotografias de modelos, em livros, revistas, tumblrs, etc. Houve uma altura em que perguntei a mim próprio se conseguia fazer uma imagem que, se a encontrasse algures num livro ou num tumblr, dissesse “esta fotografia é incrível!”.

 

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Para além disso, o corpo feminino, a Mulher, é provavelmente a “coisa” mais bonita que existe. Mas, e gosto sempre de referir isto, não precisas de ter uma mulher completamente despida para teres uma foto incrível. Posso dizer-te que a maior parte das minhas fotografias preferidas são retratos super simples. A partir daí decidi lançar-me em experiências, a ver o que conseguia fazer, que não fosse igual a meio mundo, e que me deixasse feliz com o resultado. Que acima de tudo me satisfizesse. Agrada-me a pesquisa e experiência constante, com luzes, com lugares, com rolos e máquinas diferentes, e claro, com pessoas diferentes.

 

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A escolha das modelos é feita por ti ou existe alguma espécie de candidatura por parte delas?

Funciona das duas maneiras.

O que é para ti a beleza, e como consegues captá-la?

Essa pergunta é complicada. Na minha opinião, não há apenas um sinónimo de beleza, depende de cada um, do olhar, do gosto, e de muitas mais coisas. Para mim, parte da beleza, reside na simplicidade, na crueza de muitas coisas. E acho que é com base nisso que tento captá-la da forma que acho melhor.

 

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Se pudesses escolher qualquer mulher do mundo para fotografar, quem seria e porquê?

Há tanta gente, homens e mulheres, que gostava de fotografar! É complicado escolher só uma dessas pessoas. Mas, gostava de ter fotografado a Brigitte Bardot, nos anos 70. Acho que era incrível. É a minha derradeira girl crush! A Jane Birkin também não era má ideia, ou mais recentemente a Rachel Hilbert.

 

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Que mensagem deixarias ao povo feminino?

Não quero deixar especificamente ao povo feminino, mas sim a toda a gente, incluindo a mim: Gostem de vocês próprios como são, valorizem-se, façam coisas, experimentem, errem, tentem outra vez. Oiçam Rolling Stones.

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http://kid-richards.tumblr.com/

Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Kid Richards