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Half Naked de Ana Antunes

Ana Antunes fotografa desde criança, já experimentou várias vertentes mas o analógico é a sua grande paixão. É a primeira fotógrafa mulher no Half Naked da Magnética, mostrando outra visão da sensualidade feminina.

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Quando e como surgiu este teu gosto pela fotografia?

A fotografia sempre esteve presente na minha vida, não foi uma coisa que apareceu de repente. Desde pequena que ando sempre com uma maquina fotográfica atrás, sempre gostei da ideia de ter memórias visuais físicas. Começou a tornar-se uma coisa mais séria quando percebi que, para além de uma forma de documentar momentos, podia ser uma forma de me expressar. E a partir daí comecei a apaixonar-me por todas as potencialidades da fotografia. Hoje em dia, uma das máquinas que uso, era a que usava nos meus 8, 9, 10 anos. 

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Sempre fotografaste analogicamente ou também passaste pelo digital?

Já tive várias fases. Fotografia analógica é sem dúvida a minha paixão e por mim só usava analógico. Para além de adorar os resultados finais, todo o processo me fascina. Desde comprar os rolos, pô-los na máquina, fotografar, tirar o rolo, revelar, não fazer ideia do que vem lá, porque para mim, ainda hoje é uma surpresa. Adoro o pequeno risco de eventualmente não sair fotografia nenhuma ou saírem fotografias ainda melhores do que esperava. 

O digital não usei durante alguns anos e agora uso para fazer fotografia de rua. As máquinas analógicas que tenho não me dão a facilidade do digital, que no tipo de fotografias que ando a tirar é preciso. Apesar de acabar por usar também analógico, não tenho o mesmo tipo de resultados. Para mim, são linguagens diferentes para tipos de fotografia e objectivos diferentes. 

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Como te defines como fotógrafa? 

Não defino. Fotográfo o que sinto e o que quero fotografar, é demasiado intuitivo para estar a definir. Tenho a minha própria maneira de ver e sentir as coisas, como toda a gente, e é isso que tento captar. Hoje pode apetecer-me fotografar mulheres e amanha paredes. Faço pelo que sinto e pelo que penso. 

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Temos visto alguns fotógrafos masculinos que retratam este tema da sensualidade feminina nos seus trabalhos. Achas que o teu trabalho como mulher por trás da lente, tem uma visão diferente?

Sim, penso que sim. Penso que o trabalho de um homem em relação ao corpo de uma mulher é, geralmente, mais sexual do que o de uma visão feminina. É exactamente essa atmosfera que eu pretendo transmitir. Sex Appeal através da vulnerabilidade feminina, da não total nudez de um corpo e da integridade de cada mulher, como ser independente, consciente da sua fragilidade e vulnerabilidade, usando isso como vantagem e não como fraqueza. 

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Já pensaste em fotografar a sensualidade masculina? Ou achas que o teu tipo de atmosfera só faz sentido sendo a mulher o centro da sensualidade?

Já pensei nisso, mas com um objectivo completamente diferente daquele que me faz fotografar mulheres. O corpo feminino tem uma harmonia e leveza que o corpo masculino não consegue ter. Usaria o corpo masculino para um projecto muito mais cruo e recto. Ou então, brincava com a ideia e fazia exactamente o oposto. Depende do que me apetecesse transmitir, mas até agora ainda não surgiu o momento. 

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O teu trabalho aborda diversos temas e situações. Qual é o tipo de fotos que te dão mais prazer a tirar?

Neste momento, fotografar na rua, encontrar a pessoa certa, no ângulo certo, no cenário certo e saber que não posso hesitar. Mas qualquer tipo de fotografia me dá uma adrenalina que poucas coisas dão. 

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O que é para ti a beleza, e como consegues captá-la?

Quem me conhece, sabe que vejo beleza em coisas que não são muito comuns. Penso que tem muito a ver como a maneira como tu te vês e o que gostas mais ou menos em ti e a maneira como aceitas e percepcionas as coisas. Beleza gera beleza, quanto mais te sentires atraído por ti e te apreciares, mais beleza te vais permitir a ver e a encontrar, ou vice-versa. Penso que é uma coisa muito mais energética do que física ou estética. Capto-a instintivamente, não racionalizo esse processo. Se alguma coisa me atrai, fotográfo. 

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Quais as tuas máquinas fotográficas? Existe alguma  “de sonho” que gostasses de ter?

Tenho algumas, a digital que uso é uma Sony a390 e analógicas tenho umas quantas, a que uso normalmente para retratos é uma Zenit 122, mas gosto de experimentar vários tipos de maquinas. De sonho.. não tenho grandes requisitos, apesar de estar longe de ter material incrível. Quero fazer um improvement à digital, passar para a Nikon provavelmente,  e comprar todas as pechinchas analógicas que encontrar. 

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Tens algum sítio ou pessoa de sonho que gostasses de fotografar?

Sítios tenho muitos, quero mesmo explorar o mundo. Neste momento estou em NYC por uns meses e espero ter mais oportunidades de fazer viagens longas, para conseguir sentir os sítios e perceber o que é que me atrai em cada um deles e como os consigo captar fotograficamente. Pessoas… há algumas “celebridades” que gostava de fazer uns retratos, mas prefiro sentir a vibe da pessoa, conhecer a pessoa, perceber as expressões, os movimentos, os ângulos, para haver à vontade, tanto da minha parte como da pessoa fotografada e conseguir o máximo de naturalidade possível. 

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Uma mensagem que queiras deixar de mulher para mulheres.

Um corpo é só um corpo, Sex Appeal é 10% pele e 90% atitude.

https://www.facebook.com/analogicaworld

Entrevista: Isabela Gonçalves
Fotografia: Ana Antunes