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“Girlboss”: Sophia Amoruso mas em melhor

A Sophia Amoruso começou por se tornar conhecida por ser a CEO da marca de roupa Nasty Gal – entretanto, já não é a CEO, apenas fundadora e “executive chairman”. Em 2016, a Nasty Gal foi à bancarrota e voltou à vida pela mão do grupo BooHoo. No meio disto tudo, Amoruso conseguiu um, na minha opinião, “ticket for a second life” e, depois de editar o seu livro Girlboss (um “New York Times best-seller”), Sophia criou uma nova brand (#girlboss), uma fundação que tem como objetivo inspirar mulheres a seguir as suas próprias carreiras e oferece bolsas a projetos criativos liderados por mulheres também, e, finalmente, vendeu os direitos do seu livro. E é aqui que entramos na série Girlboss, mais um original da Netflix.

A série centra-se em Amoruso que começou a vender roupas vintage no eBay e, aos 28 anos, tinha construído um império de vários milhões de dólares, com a Nasty Gal. Girlboss vai estrear (todo em simultâneo, como é normal) na plataforma de streaming Netflix a 21 de abril.

Pontos fortes? É criado e produzido por Kay Cannon (dos dois filmes de Pitch Perfect e 30 Rock), que também serve como showrunner. Charlize Theron (Monster, Jovem Adulto), Laverne McKinnon, Beth Konoof Denver & Delilah, Christian Ditter (How to be Single) e Sophia Amoruso também serão produtoras executivas. Ditter também realizou vários episódios da série, que é uma produção com 13 episódios de meia hora cada. As estrelas de Girlboss são Britt Robertson (Sophia), Ellie Reed (Annie), Alphonso McAuley (Dax), Johnny Simmons (Shane) e Dean Norris (Jay).

A série autointitula-se enquanto narrativa “loosely based” nos acontecimentos da vida real de Sophia. E Sophia, bless her heart, é uma idiota. Ou, como ela própria diz: “Why am I such an asshole?” A verdade é que temi que este projeto fosse uma espécie de “vanity project” de Amoruso e que a série não tivesse piada nenhuma. Mas há várias coisas a seu favor. Primeiro Kay Cannon. A nossa confiança tem de estar presente quando falamos de uma série que é pensada e escrita por ela, porque ela sabe o que está a fazer. Segundo, Charlize Theron. Que não poria o seu dinheiro e o seu tempo num projeto que não tivesse um certo sentido de humor acérbico como o que desempenhou em Young Adult (Jason Reitman, 2011). I’m all about that acerbic humor. Em terceiro lugar – ex aequo – é porque esta série tem dois dos melhores atores cómicos deste mundo: RuPaul e Jim Rash. RuPaul, também conhecido enquanto Drag SuperModel of the World, tem o seu próprio Emmy enquanto apresentador e criador do excelente reality show\talent show RuPaul’s Drag Race que agora passa na VH1. Se nunca viram, podem aproveitar a mesma conta de Netflix onde vão ver Girlboss para verem as temporadas mais engraçadas de televisão que nunca souberam que precisavam. Jim Rash, para além de ter sido o Dean Pelton de Community (a melhor série de que nunca ouviram falar ou, se ouviram, partilham a minha dor pelo seu percurso estranho), já ganhou um Oscar de Melhor Argumento Adaptado pelo filme The Descendants (Alexander Payne, 2011).

Segue-se uma lista de coisas a saber sobre a série. A personagem é, de facto, uma idiota. Trata mal pessoas, é egoísta, rouba tapetes (é melhor verem, a sério). É quase uma con artist na maneira como vagabundeia pela sua própria vida sem saber o que está a fazer. No primeiro episódio, quando Sophia está a ter um dia particularmente bom (tem um tapete E um casaco novo, o segundo não foi roubado), ouve-se a incrível malha de Bikini Kill, “Rebel Girl”. Sophia é uma verdadeira “rebel girl” mas não tem realmente nada com o qual se rebelar. Apenas não quer ter um trabalho convencional e está super convencia acerca das suas próprias capacidades. E isso é um bocado enternecedor de se ver. A série nunca a desculpa, vitimiza ou põe num pedestal. E o humor que permeia é verdadeiramente engraçado. As restantes personagens que habitam a série (eu ainda só vi dois episódios) parecem todos ligeiramente diferentes do habitual e Britt Robertson (cuja carreira sigo desde Life Unexpected, passando por The Secret Circle – não me julguem – e terminando em Tomorrowland) tem finalmente um papel que lhe permite, mais do que dizer uns palavrões, mostrar uma série de ferramentas que ela tinha no bolso e nunca usou.

Se vou continuar a ver Girlboss assim que sair? São os únicos planos que tenho para dia 21, 22 e 23.

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Texto: Ana Cabral Martins
Imagens: Direitos Reservados\ Netflix