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Gilmore Girls: Spring

Este artigo é uma continuação de uma série sobre Gilmore Girls: A Year in the Life. Depois de falarmos do primeiro episódio, “Winter“, falamos agora de “Spring”. Há spoilers

Agora que deixámos as introduções para trás (ver acima), podemos mergulhar neste segundo episódio sem mais delongas. Infelizmente, e como disse em “Winter“, os episódios escritos e realizados por Daniel Palladino são francamente menos interessantes e parecem um constante “atirar à parede a ver o que fica” – vamos nunca mencionar as intermináveis piadas sobre a Uber e o Ooooober do Kirk, ok?
Em retrospectiva, este é um dos episódios de que menos gosto. É uma parada constante de cameos (arranja-se uma desculpa para Lauren Graham ter as suas duas “tv daughters” ao mesmo tempo, no mesmo ecrã) e coisas irrelevantes, ou que não vão dar a lado nenhum a acontecer.

Emily e Lorelai começam idas a uma psicóloga, sendo o início de lutas e discussões constantes sem qualquer tipo de resolução (que história é aquela da carta que a Lorelai não escreveu e que a Emily recebeu?!) apenas para termos o visual da Lorelai a ficar em terapia mesmo sem a mãe. Aliás, todo este enredo à volta da terapia e do testamento de Richard que desenterra a ideia peregrina-e-já-há-muito-descartada da franchise do Luke’s Diner de modo a introduzir algum tipo de atrito pelo facto de Luke e Lorelai não se terem casado. Retornamos, no fundo, à sexta temporada, quando Luke se afasta cada vez mais de Lorelai, não lhe contando coisas e adiando uma ideia de casamento que nunca se materializou em 10 anos.

Gilmore Girls

A parte focada em Rory é ainda mais desconsolante, levando-a a pedir a influência de Mitchum (pessoa que ela odeia) para que uma reunião com a Condé Nast que continua a ser adiada aconteça finalmente. Nesta reunião, não acontece nada, não há um trabalho oferecido, há só um “vamos conhecer-nos porque escreveste uma coisa boa”. Isto faz algum sentido? Vemos depois Rory a lançar-se a uma história sem qualquer espécie de cabimento sobre filas em Nova Iorque e deparamo-nos com uma questão desconcertante: será Rory uma má jornalista? Adormece de telefone na mão, não quer saber do que as pessoas lhe dizem e quando finalmente encontra um fenómeno interessante – pessoas que estão na fila para nada – afasta-se completamente. Finalmente, confessa à mãe que continua com o Logan. Nenhuma reação em especial. Revolve tudo à volta do improvável – e desnecessário – acontecimento do one night stand (é mais um encontro rápido e nunca se fala sequer em atração o que é estranho) da Rory com um Wookie. O culminar das idiotices com Rory: ir, finalmente, a uma entrevista de emprego para um sítio que quer mesmo a voz dela…até ao momento em que sentem que ela se está a dignar a trabalhar ali, achando que é só chegar, não estar preparada, não saber nada do site e assinar um contrato. Obviamente não a aceitam e retiram mesmo a oferta no que é um sinal de ou idiotice ou privilégio extremo de Rory, duas coisas que nunca pensei escrever na vida. Claro que tivemos direito a um cameo da Julia Goldani Telles – anteriormente um atriz de Bunheads, uma série de Amy Sherman-Palladino que não durou muito – como a Sandee, CEO do site feminino Sandee Says.

Rory tem ainda tempo para voltar a Chilton e podermos presenciar o melhor momento da série: Paris a fechar a porta de uma casa de banho com um pontapé que se mantém firme. Em saltos altos. Com pena da falta de direcção de uma das mais promissoras alunas da exigente escola privada – a valedictorian do seu ano – o reitor Charleston sugere que esta tire o seu mestrado para poder dar lá aulas. Um momento mais triste do que comovente.

As cenas que resultam melhor é tudo o que se passa em Stars Hollow – embora essas cenas nunca tenham sido as minhas preferidas. Custa bastante ver um Jackson relegado para um abraço de cinco segundos e uma boca para expelir exposição sobre como a Sookie está a trabalhar na Blue Hill Farm do chef Dan Barber. O que francamente só me lembra do drama que foi Amy Sherman-Palladino e a Melissa McCarthy se entenderem no que toca a este revival – ela aparece no último episódio.

Quanto mais penso e escrevo sobre isto, menos gosto do episódio. Esperemos que isto melhor (melhora!).
Oy with the poodles already



Texto: Ana Cabral Martins
Imagens: Direitos Reservados/ Netflix