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Gilmore Girls: Fall

Este artigo é uma continuação de uma série sobre Gilmore Girls: A Year in the Life. Depois de falarmos do primeiro episódio, “Winter“, de “Spring“, de “Summer“, e agora falamos de “Fall”. Há spoilers

Este episódio valeu a pena por vários motivos. E, no final, à boa maneira de Gilmore Girls, a série acaba de uma forma profundamente bittersweet: são finalmente ouvidas as quatro últimas palavras.

É totalmente não característico que Lorelai queira estar remotamente perto da natureza mas a sua ida para a Califórnia e a sua tentativa de realizar uma aventura como Wild, faz algum sentido. Sentindo-se a viver um momento de statis totalmente, em que nada na sua vida parece realmente ter avançado, ela precisa de alguma perspectiva.

Num momento perfeitamente Gilmore Girl-esco, Lorelai procura café – numa outra vida, diz ela mais tarde, ela terá sido café – e encontra uma vista que a faz sentir exatamente aquilo que precisa de sentir. É um momento que não só não podia ser uma melhor showcase do quão boa atriz é Lauren Graham como também se poderá colocar numa seleção de melhores episódios de Gilmore Girls, em geral. Depois de uma discussão, em “Winter“, sobre como Lorelai não soube contar uma história simpática sobre o seu pai no funeral deste, Lorelai liga a Emily (e não a Luke, como alguns poderiam pensar) para lhe contar a sua memória mais querido do patriarca Gilmore. A história tem o poder de unlock: Lorelai conta à mãe a história que esta precisa de ouvir para começar genuinamente, e em paz, a seguir a sua vida – o abraço que dá ao telefone, no final, é genuinamente comovente. Através de um telefonema, as pontes queimadas por anos de conflito começam uma reparação que não é senão um bálsamo para quem seguiu as vidas destas duas personagens. Emily muda-se para Nantucket (uma ilha em Massachusetts) e torna-se voluntária num museu dedicado a tubarões (!), terminando a série a beber um copo de vinho e a ver as estrelas. Deixou-me contente.

GILMORE GIRLS

Contar aquela história, por sua vez, liberta Lorelai para perceber realmente o que falta na sua vida e o que pode fazer para mudar essa situação. E isso passa por marcar – finalmente – o seu casamento com Luke. E expandir a sua pousada para continuar a crescer e mantém Michel empregado e satisfeito. Quem diria que Michel teria tanto poder sobre Lorelai? (Bom, qualquer pessoa que tenha sentido o buraco enorme deixado por Sookie). Quando Lorelai regressa da sua peregrinação Wild, Scott Patterson tem finalmente a abertura para (fora a excelente cena entre ele e Milo Ventimiglia, como Jess) ter o seu próprio monólogo inesquecível em que põe a nu todos os sentimentos e todas as palavras que ficaram subentendidas mas não foram pronunciadas. É ao mesmo tempo divertido e parte o coração (in a good way), como francamente só Amy Sherman-Palladino consegue. E por falar na acima-mencionada Sookie, ela finalmente aparece por um momento em que eu ainda não sei se acredito totalmente. Talvez porque Melissa McCarthy faça esta única cena, talvez pelo drama que houve behind the scenes, mas quero muito acreditar que estas duas amigas are “still best friends”.

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Finalmente, Rory. Rory tem uma última escapada com Logan e com a “Life and Death Brigade”, de quem se despede num momento que homenageia o Feiticeiro de Oz. Uma montagem que parece vagamente extraída de alguns filmes – Across the Universe? – leva Rory a acabar em casa dos avós (nos intervalos de Emily estar em Nantucket e ainda não ter vendido a casa). É aqui que segue os conselhos de Jess e redigi os primeiros capítulos do seu primeiro livro – embora, curiosamente, nunca vejamos a Rory adulta pegar num livro para ler, o que estranho – “The Gilmore Girls”, cujo “the” é dropped a conselho de Lorelai. Num dos momentos mais tocantes do revival, vemos um vislumbre de Richard Gilmore no seu escritório e é difícil conter as lágrimas.

As quatro últimas palavras – que Amy Sherman-Palladino pensou em escrever quando Rory teria 22 anos e não 32 – são preferidas depois do casamento-antes-do-casamento oficial de Lorelai e Luke, num cenário perfeito (ao som da música perfeita) concebido por Kirk (who else?). Rory anuncia à mae que está grávida (imaginamos que de Logan) e corta-para-negro.

Ainda estou a dirigir estas palavras mas é ao mesmo tempo amargo, doce, um círculo completo e algo que faz “complete sense”. Tornam, evidentemente, a estranha e perfeitamente dolorosa conversa com Christopher em algo muito mais claro.
Ainda vou ter de pensar mais nisto e talvez rever o revival. Por muito que tenha tido as minhas reservas e críticas, não conseguirei nunca deixar de gostar destas personagens, nem de me emocionar com os acontecimentos das suas vidas. Até sempre, Gilmore Girls, até sempre.

Pensamentos extra:
* Emily a a mandar as mulheres da D.A.R. passear é sublime. Sublime.
* Logan = Christopher, Jess = Luke? Ajudará Jess a criar a criança de Rory? Que olhar foi aquele no fim?



Texto: Ana Cabral Martins
Imagens: Direitos Reservados/ Netflix