Entrevista:
Ana Suzel
06 de Agosto de 2012

ALEX D'ALVA TEIXEIRA




Uma mistura de estilos, uma mensagem a passar, várias influências e percursos até chegar aqui. Alex d'Alva Teixeira lançou o seu EP e a Magnética quis conhecer um pouco mais do seu trabalho.

Como é que nasceu este EP?
É uma longa história mas vou tentar ser breve.
Eu tinha uma banda quando tinha uns dezasseis anos e gostava muito de uma banda da qual o Ben Monteiro (Os Lacraus) fazia parte na altura, ao ponto de eu participar na organização de festivais na Moita para que as nossas bandas tocassem juntas. Ao longo do tempo eu e o Ben fomos mantendo o contacto e ficámos amigos, entretanto a minha banda acaba e o Ben desafiou-me a gravar algumas das canções que eu tinha escrito com essa banda. Ao longo do tempo, temos trabalhado juntos, ele tem cuidado de toda a produção, dos arranjos, gravação, etc, e estendeu-me esta ponte para o mundo da música que de outra forma seria muito mais difícil, acreditou em mim e no meu talento e é dessa forma que aparece este EP como uma apresentação do álbum que sairá em breve.

 Para além das mais óbvias, quais as principais influências/inspirações para a criação das tuas músicas?
O meu pai é São-Tomense e a minha mãe é Brasileira, eu nasci em Angola mas tenho a nacionalidade da minha mãe e vivo em Portugal desde o meu primeiro aniversário, ou seja, o facto de ter crescido na Margem Sul e fazer parte de uma família em que somos todos de países diferentes, faz com que esteja exposto a diversos tipos de música por defeito. Gosto de imensos géneros diferentes, desde a eletrónica ao hardcore, mas no meu disco para além da pop e do indie também estão presentes influências de música africana e brasileira ainda que mais ou menos dissimuladas, mas que estão muito ligadas às minhas raízes. 
Outro fenómeno que acontece é o facto da música que vou criando agora, ou pelo menos as roupagens que vai adquirindo sofrer (no bom sentido) pelas pessoas que tocam comigo ao vivo. Posso dizer que sou um privilegiado, tenho a meu lado pessoas que admiro há muito tempo e a musica que faziam. O Vitor Hugo Azevedo (guitarra) e o Ricardo Ramos (percussão / teclas etc) ambos tocaram numa das minhas bandas favoritas os Iconoclasts, o Gonçalo Almeida (Bateria) que tocava comigo na banda do Tiago Guillul, e o Ben também me acompanha ao vivo. Todos eles são bastante mais velhos que eu e referências, e é impossível não ser positivamente influenciado pelo que todos trazem consigo.

 Numa altura em que cada vez há mais bandas e projectos portugueses, qual achas ser o futuro da música nacional? O que torna a tua música diferente?
Sinceramente não consigo fazer uma previsão daquilo que será a música portuguesa no futuro, mas acho que tem vindo a melhorar bastante ao longo dos tempos, há cada vez mais bandas e artistas interessantes. Pessoalmente com a minha música tento trazer alguma coisa "nova", ou por outra, experimentar conceitos que até aqui permanecem por explorar (não sei muito bem porquê), mas também não estou a tentar reinventar a roda, nem penso muito nisso, o mais importante é mesmo divertir-me. Tento não me deixar limitar por qualquer tipo de rótulo ou estilo, apenas faço música que gosto, e que sinto que faça sentido.

 Qual a música que deu início a este EP? Fala-nos dela.
A primeira música que escrevi para este EP foi a “Diz-me (Design). É uma canção sobre amizade que escrevi quando tinha dezasseis anos e estava no início do meu curso de design gráfico. É simples e fala sobre ter medo de começar coisas novas mas ter coragem para dar um primeiro passo pois ao longo do caminho tudo vai ganhando a devida forma, tal como acontece no processo criativo. É algo muito frequente na adolescência, uma fase em que a vida sofre imensas mudanças, por isso escrevi esta canção para os meus amigos. Curiosamente esta foi também a primeira canção que gravei com o Ben.

Quais os teus desejos para o futuro?
Espero poder tocar imenso e terminar o meu disco rapidamente para que possa partilhar a minha música com toda a gente. Também seria bestial se houvesse um maior apoio não só à música mas à cultura nacional, temos que valorizar o que é nosso.

http://www.facebook.com/alexdalvateixeira

 

Fotografia © Vera Marmelo


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