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A rosa de Old Jerusalem

Após uma longa pausa desde o último álbum, em 2011, surge “A rose is a rose is a rose” de Old Jerusalem, um disco recheado de colaborações com diversos músicos. Foi no Lost in que encontrámos Francisco Silva para uma conversa sobre o seu novo álbum, que tem concerto de apresentação já no dia 2 de abril, na ZDB.


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Fez uma pausa desde 2011 e agora surge um novo álbum. Quais as novidades?

O disco chama-se “A Rose is a rose is a rose” e, para mim, é um disco diferente dos anteriores, principalmente pela forma como outros músicos entraram na gravação e na estruturação das canções. Normalmente, Old Jerusalem não é uma banda, é um projeto pessoal, meu, onde muitas das tarefas ficam concentradas em mim: são as minhas decisões e a minha perspetiva para as canções, mesmo quando há outros convidados a participar.
Para este disco eu queria que houvesse mais colaboradores e que a sua participação fosse mais interventiva. O resultado final acaba por ser um disco bastante diferente; é quase como se não fosse meu, tem uma parte exterior, de outras pessoas, e isso é mais agradável. Gosto das canções, convivi com elas durante muito tempo – o disco demorou a ser concluído – e ainda não me fartei delas! É uma coisa usual, normalmente trabalhamos tanto tempo numa canção que chega a uma altura que já basta, mas neste caso não. Continuo a ouvir com alguma frescura estas canções, e atribuo isso à participação de todos os colaboradores.

Como surgiram estas colaborações?

Foi uma coisa relativamente simples, porque existiu um catalisador. Eu comecei a compor as bases das canções, como sempre faço, e houve uma pessoa que me ajudou a partir daí. Tinha conhecido, uns tempos antes, um músico que acho fabuloso, que é o Filipe Melo. Quando nos conhecemos ele veio falar comigo, disse que gostava muito das minhas canções e que gostava que fizéssemos algo em conjunto. Como já estava a pensar neste disco e que gostava de ter outro tipo de intervenção, ocorreu-me logo falar com o Filipe. O disco começa a partir do momento em que o Filipe Melo se junta com o piano, e começa a colaborar de forma mais próxima, em conversas onde sugeria mais colaborações e músicos, e exprimia o que gostava e o que não gostava. Trouxe o Nelson Cascais, trouxe um quarteto de cordas… Foi tudo muito orgânico mas teve um grande catalisador no Filipe Melo, pois foi graças a ele que surgiu todo o conjunto que se transformou no disco.

Neste álbum existe alguma canção a destacar?

Consigo pensar em vários pormenores especiais de algumas canções, mas como são todos diferentes não consigo comparar e pensar o que pode ser mais destacável. Nalguns casos são pormenores muito pequenos, o simples som de um instrumento em determinada canção é especial, marca-a e faz-me gostar dela particularmente, mas não consigo comparar com outros sons porque são de natureza diferente.

Se pudesse fazer uma colaboração com qualquer pessoa do mundo, quem seria?

Muita gente! Curiosamente, há muita gente que eu admiro, mas com quem não queria colaborar. Ou ia ser infernal, ou não ia resultar. Se pensar em alguma colaboração que fosse de sonho e que ache que (dentro do não funcional) até podia funcionar, ocorre-me um músico português e possivelmente o que esteve mais presente em toda a minha vida: o Pedro Ayres Magalhães, dos Madredeus. Sempre tive curiosidade em saber como ele faz as coisas, qual o seu processo de pensamento e criação, e estou a falar não só dos Madredeus, mas também dos Heróis do Mar, da altura em que ele esteve com os Delfins. É um músico que acho muito bom e particularmente interessante e que marcou a minha apreciação musical.

E um palco onde gostava de atuar?

Eu não gosto muito de atuar ao vivo, para dizer a verdade. Se for a ver eu nem sou muito ambicioso. Alguns músicos diriam o Coliseu, eu acho que a minha música não funcionaria lá, iria perder a intimidade e aproximação direta que quero dar ao público com as minhas canções.

Quais os concertos de apresentação do álbum? Onde podemos ouvir Old Jerusalem?

Há três concertos oficiais para apresentar o disco. Começamos em abril, no dia 2, aqui em Lisboa, na ZDB. No dia 8 de abril subimos ao Porto, no Maus Hábitos e, no dia 16 de abril, estaremos no Teatro Gil Vicente, em Barcelos. Depois haverá mais, mas estes três são os oficiais para apresentação do álbum.


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Entrevista: Ana Suzel
Fotografia: Beatriz Pereira